from her curls

Novembro 9, 2009

Sol na Lage # 2

Episodio de hoy: Intriga Musical – Estarán hablando del hongo?

Escuchando a la hermosa y jipe canción de Sui Generis, “Tribulaciones, Lamento y Ocaso de un Tonto Rey Imaginario o no” – vaya titulo! Más enroscados que nuestro amigo Caetano Veloso con su clásico “o no…”

Fijense en la letra, donde Charly canta:

Teníamos sol
Vino a granel
Y así pasábamos
Los días
Tomando el té
Riéndonos al fin

sería este un té de hongos?
el contexto me dice que es muy probable que si.

* Capusotto, te vendo la idea del “personaje que habla del hongoooo” si querés.

Después hablamos de la letra de “La ruta del tentempié”, un escrache bárbaro de un loco de extasis. Oh, la juventud…

Longe da propaganda: é apenas um ótimo conselho

Quando a gente sabe que está a ponto de dar um conselho a alguém, sente que por alguns instantes essa pessoa pode ser mais feliz -sim, feliz- através de idéias lançadas, chan! por ti.

O que estou a fazer é puro altruismo (mentira, depois eu faço questão de umas bruschettinhas de brie com beterraba). Pro bem de vocês, eu aviso que a comida jânica será uma experiência tão mágica quanto a de ver uma amiga tão querida encontrando seus temperos e fazendo bom uso de todos eles.
Morei com JanGirardi durante um ano e meio na ensolarada Londres, quando comíamos, incendiávamos e filosofávamos como se não houvesse amanhã (só faltou o Era Uma Vez…)
Lembro das geléias feitas (pela chef em questão) com uvas colhidas do nosso próprio jardim na casinha humilde de gente humilde, quevontadedechorar, ao norte, zona 3 – pânico – de London. Eram orgias gastronômicas, pastinhas verdes de outro mundo, e aquele pão de azeitona que eu tento, mas não consigo imitar. Os sushis comunitários e uma garrafa de tequila em menos de quinze minutos. Ok, não é comida, mas lembrei e me marejei os olhos, éramos como índios dançando em volta da mesinha (mesinha rsrs) de centro.

Por que é mesmo que se diz que a gente é o que come?
Porque se comer direitinho o coucou sai mais cheiroso e evita celulite?
Comer direitinho não serve. Pô.
Bom é comer com todos os sentidos.
Porque comer bem é algo que te alimenta o coração,
através do prazer que é comer, uma necessidade tão básica e, por isso mesmo, tão importante.

E, como diriam os bitols: think. e, de quebra, chegue aos sixty four contente e saudável (até por ali, sei o quão pagãos somos).

E se recomendo essa pessoa e esse lugar, é porque sou testemunha das delícias que Jan pode fazer na alma da gente. Mais que uma amigairmã muito querida, é daquelas pessoas que te fazem acreditar que o tudo o que se bota pra dentro se vê depois, e é no sorriso – que é uma coisa tão importante como, justamente, comer.
Saravá!
cheers, mate!

Que a alquimia te acompanhe sempre, amica!

And in the end
The love you eat
Es equal to the love
you cook
*aqui anuncio a última referência beatlemaníaca deste post

(Fica em Porto Alegre, chau)
http://chefjanaprimeiroandar.blogspot.com/primeiro_andar_010

Novembro 3, 2009

tudo chove – ou não

mas, também!
choveu um fim de semana inteiro
já não chove música nos meus tímpanos porque meu emepetrês estragou
acordei, as gotas na janela: choveram meus olhos e choveu meu coração
visito meu jardim, as pobres flores pelo chão
meu sol na lage choveu e minha pele choveu de ira
agora mesmo, chovem meus dois litros de menstruação
chove em cima da lua – um abuso, visto que ela está cheia (ainda por cima isso)
e ainda vêm me dizer é tudo desculpa
pra chover reclamação

chuá chuá chuá

Outubro 18, 2009

Sol na Lage # 1 (coisas que passam pelo meu sol quando tomo na cabeça)

Episódio de hoje: Papai me contou…
(toda essa sabedoria no primeiro dia de visita do dito cujo aqui na ciudad autónoma)

1. que as medialunas são assim chamadas porque a massa usada tem origem árabe – vide bandeira deste país.

2. que a música “O Mundo é um Moinho”, do Cartola, foi feita pra filha dele. (que fuerte, tíos!)

3. que quando eu era quianssa, bem eleniña, os churrascos ao meio-dia dos meus pais e seus amigos se extendiam até virarem carreteiro à noite, e tudo devidamente regado a caipirinhas, cervejas e afins. Agora tudo faz sentido e essa minha boemia bukowskiniana incorrigível é culpa deles. Respirei aliviada depois dessa.

4. que ele conheceu o Carlos Lyra.

5. que sou que nem a minha mãe e os girassóis: só sou verdadeiramente feliz quando ao sol. Ok, eu já sabia, mas isso dito por ele tem outra vibe.

6. que ele mamou no peito até ter uns 3 anos (ou seja, um marmanjinho). Diziam que mais um pouco e ele dava uma mamada, fazia uma torradinha e voltava pro peito.

7. que a mãe dele (vovó Hortensia) teve 11 abortos, o que faz dele o 12º filho. E é filho único, vejam só.

8. que cervejeiro é cervejeiro sempre, e maconheiro é maconheiro sempre (com aquele jeito dele de quem diz uma grande verdade inconstestável. e quem sou eu pra contestar?)

9. que 9 de Julho foi o dia em que o pai dele (vovô Sady) e o Vinícius de Moraes morreram. E que foi também nesse dia que ele descasou da primeira mulher e casou com a minha mãe.

10. que achou Buenos Aires bem fácil: “ali tu tem a Cabildo, mais pra lá a Libertador, prum lado tá o centro, e pro outro, a província. Simples.”

11. enquanto eu comprava uma lembrancinha religiosa na Iglesia de Nuestra Señora del Pilar pra ele levar pra minha vó Edith – a materna – e concluía que há muitos anos que só dou presentes de origem católica pra ela, ele me larga essa: “é… já tá com oitenta e cinco, é bom ir abençoando mesmo…” Humor negro mode on total, eu não sou sarcástica assim por acaso. Respirei aliviada de novo.

12. que ele costuma reconhecer a nacionalidade das pessoas pelos sapatos. Genius.

Melhor parar por aqui: hoje é domingo, ele volta pra Porto Alegre na quinta-feira e eu já to chorando de saudades, nível: soluço.
E, tomando esse sol na minha lage porteña, só agradeço por minhas lágrimas não serem de limão.

El culpable

El culpable

Outubro 13, 2009

projeto de banda # 1

Arquivado em: listeninglessons — caracoles @ 12:07 am

e se…
ao invés de ressurgir a Seru Giran
criássemos a Seru Mano?

* músicos e manos, tratar aqui.

Outubro 8, 2009

Doce vingança doméstica

* balde, água, clorofina, esponja, luvas, Cif baño (se tiver o “crema”, melhor ainda)

E lá vou eu, balde em punho e figurino de farrapo – como pede a ocasião, munida pra guerra contra os germes, limpar a banheira.

Esfrego, limpo a cortina, faço acrobacias pra, toc toc toc, não quebrar a minha bacia tentando alcançar a última esquina da banheira e ter uma morte tragicamente patética.

Quartos de hora depois, cumprida estava a missão, e eu achando que essa banheira merecia um troco. Mudo o figurino e a munição: sirvo um uísque amigo, acendo a vela e pingo essência perfumada no coisinho aquele. Um jazzinho pra acompanhar, o paraíso agora era a banheira.

Olho meu pé, amaciando o sabonete de forma eroticamente sarcástica, e penso: sim, a vida também é feita de pequenas vinganças.

Elena 1 x Banheira 0

Outubro 7, 2009

argentinices que me fazem cócegas

Chimichurri

A palavra é quase tão engraçada como *Titicaca, não fosse pelo fato que *chimichurri me faz lembrar de Cheech & Chong. Aliás que bela versão platense daria, hã? Ó o insight (!) “Chimi y Churri se encierran en el auto y se ponen a fumar un churrito”. (pra quem não sabe o que é churro/churrito: vide post anterior sobre a despenalização – e esse churro não leva doce de leite na receita).

Chimichurri também pode ser apelido djuguidjugui de namorado/a bilubilumeufofinho/a. Por aí.

* é um molho feito de cebola, pimenta, orégano, pimenta, alho, pimenta, muita pimenta. turista, não se deixe enganar pela amável aparência deste molho, ou chamas queimarão seus brasileiros beiços.
* é um lago entre Bolívia e Peru, seus ignorantes

a Avenida DORREGO.
(eu juro, e é tudo junto mesmo)

Outubro 3, 2009

Abraçando a despenalização, faso a faso.

aguanteladespe” – Passa a bola, Maradona”. Frase recorrente no meu grupetín de amigos argentinos (eles falam a frase em Português mesmo, o que por si só já é realmente engraçado), que quer dizer: “Passa o baseadinho, companheiro, não monopoliza a pelota porque todos querem jogar, se divertir nessa marotagem”.

E por que todos querem jogar? (pra quem não sabe, isto é didática): Porque é bom jogar uma pelada, é agradável descontrair a mente e abrir a gaiola para a criança com asas que vive em nós. É bom desopilar, brincar com outros seres da nossa espécie e viver momentos em equipe, permitir algo de lúdico em nossa rotina robótica de bicho – grilo ou não – de cidade. E, tcharam!, o mais genial de tudo isso é que: sim, é possível se entreter com uma pelada (rs) e chegar a ser um humanus nusconformis, e fazer o que fazem os todas as pessoas honestas costumam fazer em suas rotinas quotidianas do dia-a-dia da rotina diária e quotidiana do dia-a-dia diário rotinero : trabalhar, trazer o leite das crianças, não matar ninguém, não extraviar milhões dos cofres públicos, almoçar domingo com a família, ter complexo de édipo, manter algo de instinto, manter alguns amigos, um amor, enfim. Coisas que não nos fazem ir pra cadeia. E, nas horas vagas, por que não, um futebolzinho, pô.

Com a maconha é assim, por mais boluda e jardimdeinfântica que lhes soe a analogia. E, antes que algum esquentadinho já role com fúria o mouse pra deixar um comentário indignado dizendo que o futebol não pode ser comparado com cannabis porque é esporte e faz bem à saúde, eu afirmo que faz mal à saúde, visto que meu concubino, jogando um partidito inocente, já quase quebrou um dedo num golpe tipo rugby e volta sempre com as costas parecendo um caju e gemendo de dor tal qual um senhor de idade; minha irmã foi goleira no colégio e rompeu os ligamentos do joelho, e tantas outras tragédias que o futebol pode provocar. Fora que, pra quem fuma, é quase impossível correr um campo inteiro sem sentir a morte mais perto pelos breves segundos em que não conseguem inspirar nem expirar nada. Isso de fazer bem é muitíssimo relativo, estimados hermanos. Laboratórios dizem que muita coisa vai te trazer benefícios e a Igreja Universal do Reino de Deus também.

Antes de nos metermos pelo denso rio dos termos jurídicos, é melhor falar de certas coisas. Vamos falar do tema a plenos pulmões, e vamos mesmo, porque não é todo o mundo que sabe o que é isso de puxar fumo, e também pelos que chamam pejorativissimamente os que fumam de “perejiles” (em português: salsinha. esse mesmo, o tempero), e isso me tira do sério, tanta gente achando uma coisa sem saber porque acha e sendo mais brutos que ogros, porque achar não é saber, e a cegueira coletiva me deixa, com o perdão do trocadilho, cega de ódio. Eu sei que muita tia, mãe, ex-colega-do-jardim-que-só-bebe-suco, etc, vai ler isto. E é pra essas pessoas que eu quero contar como funciona essa coisa, que não só não é um bicho de sete cabeças, como mais parece um simpático filhote de labrador, já veremos por que.

Porque, não, você não precisa ficar idiota se fumar um baseado. Muito menos ser um para fazê-lo. Não, você não precisa dormir imediatamente, tampouco. E, finalmente, não: você não precisa gostar.

Mas, se gostar, fique sabendo que você não representa nenhum risco ao seu vizinho por desfrutar da yerba buena. Não, pessoal, eu não fumo e vejo um OVNI se a luz da sinaleira está piscando, não saio peladona no centro da cidade, juro que não me comporto como uma lunática. A maconha é tão inocente que nem sequer me dá coragem pra pegar um ônibus sozinha de madrugada, o que afirma que, vejam só, tampouco me deixa inconseqüente ou tresloucada. Não passei a ver o mundo em technicolor depois do meu primeiro cigarro de maconha (não confundamos as drogas). Não, fumar maconha não se trata disso. “Quero mais!”, que nem o guri propaganda do Tang. Se trata de abrir as portas da percepção, tal qual o Jim, embora este tenha se passado e acabou abrindo o telhado e o chão também. Mas, pra quem nunca experimentou, saibam que, a cannabis, para muitos, funciona como uma lâmpada na mente, que põe a questionar e a desfrutar cada minuto, e o massa é que o minuto de quem fuma costuma ser mais longo (rá!). A maconha não me relaxa porque me relaxa e “ai, que sem graça isso, não entendo como podes gostar disto, me dá sono e me deixa bobo/a” pode dizer a amiga. Eis que eu direi à ela: “Tudo bem que não me entendas, mas que bom que me aceites.” Se a maconha me relaxa é porque me faz refletir – ou viajar, como quiserem – aliás, viajar é um termo ótimo, visto que as viagens proporcionam riqueza de experiências, banho de cultura, renovação da mente e alma, entrosamento com outros seres humanos, e todos nós sabemos que viajar é a segunda melhor coisa que um humano pode fazer. Fumo um e penso, penso muito. Não na velocidade galopante em que sobe o dólar, nem no desastre que foi o time do Maradona jogando com o Brasil sábado passado (inenarrável o prazer de ter assistido o jogo entre argentinos e no país deles, dá licença que este texto é em Português e dá vontade mesmo de rir do Maradona. Meu pai disse que ele parecia uma prostituta velha com a maquiagem borrada rsrs), eu penso e medito sobre o que posso fazer pra ser alguém melhor no mundo, logo: eu penso em mim. Nas minhas relações com outros humanos, na minha vida, I me mine, eueueu, já sei, mas é assim. A gente tem que pensar na gente pramodiagente ser feliz. Simples assim, tá batido mas é: a mudança começa em cada um de nós. Então faça a sua parte e comece a desatar seus próprios nós, porque senão a bagunça fica indecifrável demais. Desatar nós não necessariamente tem a ver com ir à terapia, nem à academia, nem fumar um *canário. Tem a ver com aceitar o outro, o diferente e o semelhante, o próximo da fila, aprender que amor se dá sem julgar. Assim somos nós com o novo, assim somos nós com o desconhecido: “afasto o que não conheço”, diria John Gilbert, e não preciso estar em Sampa pra saber disso. Experimente botar todo mundo pra pensar, e teremos um mundo, não esse lixão no meio da Statusfera. A maconha não faz o que as boletinhas anti-depressivas fazem (estas sim são perigosas, e com elas é que deveríamos nos preocupar), mas vou deixar pros mais interessados que procurem na Internet ou em suas enciclopédias mais info sobre o efeito da erva, ou que fume um e tire a dúvida. Sou mesmo uma safada, eu sei, mas nunca diga “deste cigarro não fumarei”.

Iniciemos, pois, o rafting pelo rio (barbaridade) da sentença que levou a Corte Suprema da Argentina à despenalização da cannabis para consumo próprio: (sim, eu li as oitenta páginas da sentença)

(onde houver um asterisco significa que lá embaixo haverá um glossário de sinônimos para “cigarro de marihuana” em porteñês, vejam que simpático)

Cinco guris caminhando por uma rua de Rosario (interior da Argentina) portando três *porritos. Equações de baseado por cabeça à parte, o que temos é um caso que foi parar na Corte porque, graças a Jah, ainda existe gente sensata até no Poder, que coisa mais adorável.
Queriam condenar os meninos a muito tempo no xadrez. Eis que o iluminado juiz Carlos Fayt parou, pensou (eu tô dizendo que esse negócio de pensar é importante) e disse: mas peraí, companheiros (o companheiros é por minha conta): que mal mesmo pode nos oferecer um usuário de maconha? Precisamos realmente perder tanto tempo com essa gente? Por que não os deixamos em paz e começamos a nos preocupar com o que realmente importa? Elementar meu caro Marley, bastou uma breve análise.

A Argentina é o segundo país em consumo de cannabis da América Latina (o primeiro é o Chile), e olha que o Brasil é grande… Os argentinos são os primeiros em consumo de cocaína, e olha que o Brasil é grande (!). Dá pra notar que o pessoal é chegado numa droguinha nesta terra de Diego Maradroga. Ainda bem que a Corte entendeu que isso dificilmente vai mudar. A jurisprudência mostrou, depois de tantos casos em que houve penalização no caso de consumo não ajudou em nada a diminuir o tráfico nem o consumo, enquanto ambos só aumentam, getting higher and higher.O buraco é mais embaixo, a gente sabe bem.

Estamos na América Latina, isto aqui não é Amsterdam e ainda não posso pedir pra moça do mercadinho “por favor, me vê um Marlboro box e um desses marroquinos que tens aí ao lado dos chiclés”. Mas já é alguma coisa, esta sentença é um baita avanço. Um passo importante não só para os maconheiros, e sim, para a Humanidade. Grande coisa pisar na Lua, diria eu. Sim, eu, porque não é todo mundo que se atreveria a dizer que a despenalização de uma droga tem a ver com evolução da Humanidade. Mas tem, eu juro: a sentença nos diz, indiretamente, que a luz no fim do túnel agora pelo menos pisca. Que essa coisa de punir sem saber porque pune anda com as patas meio curtas.

Na Argentina, até o mês passado, o cidadão tinha que fechar a janela, acender incenso e o caralho a quatro pra poder fumar seu *caño em paz ou para plantar sua kaya, a menos que você tivesse certeza absoluta de que seus vizinhos não o denunciariam.
Pois escancaremos as janelas e venezianas, muchachos! A partir de agora, se o macanudo vizinho não simpatizar com o perfume de seu *fasín, então ele que acenda seu incenso e feche sua janela, porque a partir de agora o fato de ele antipatizar com a maconha é um problema dele, e não seu.

E aqui está o centro da questão, que na realidade foi a origem da sentença de 26 de agosto:

(em espanhol mesmo, vamos fazer uma forcinha, ¡ hermanos !)

“(…) Cabe tener presente que una de las pautas básicas sobre la que se construyó todo el andamiaje institucional que impulsó a la Convención Constituyente de 1994 fue el de incorporar a los tratados internacionales sobre derechos humanos como un orden equiparado a la Constitución Nacional misma (artículo 75, inc. 22). Así la reforma constitucional de 1994 la importancia del sistema internacional protección de los derechos humanos y no se atuvo al principio de soberanía ilimitada de las naciones (considerandos 18 y 19 in re “Mazzeo”, Fallos: 330:3248).”

Sou eu, ou isso é mais bonito que Walt Whitman?

Proteger os direitos humanos ao invés de dar bola pra soberania do Estado? É poesia.

Li isso, me senti contente pelos humanos e seus direitos respeitados. Tipo, ainda se pensa em direitos humanos, wow! E é dessa luz no fim do túnel que eu falo, ela pisca e nos avisa que, ainda podemos esperar, dias melhores virão.

A sentença diz também que o fato de o vivente fumar não afeta a pretendida saúde pública. Bingo! Goste você ou não de um baseado, fato é que não oferecemos risco e o que a pessoa faz dentro da sua própria casa é assunto seu e só seu. O pior risco que podemos oferecer é perder as chaves de casa, rir às pampas, tossir no bus e gerar conversaçoes filosóficas. Not bad, hã. Mas tem gente que não gosta de ver ninguém rindo nem pensando muito e que acha que perder chaves é um absurdo. Então preferem chamar a gente de perejil. Tomo como elogio, já que é um tempero, e o que seria da vida afinal se não fosse um temperinho? Só me resta mesmo ver aos reacionários como personagens de um filme de terror brasileiro: é tão tosco que vira comédia. Aqui está clara a minha indignação para com essa gente que só diz que não, que não se pode e que não se deve. Não cabe a ninguém julgar a pessoa que fuma um *churro simplesmente porque lhe apetece fazê-lo. Eu fumo, gosto e escrevo, e esse é o problema: os que gostam das letras acham que podem mudar o mundo com elas, mas paciência, foi o que me tocou, já que nao sei tocar violão nem cantar bonito.

Mais um belo poema retirado da sentença:

Con relación a tal derecho y su vinculación con el principio de “autonomía personal”, a nivel interamericano se ha señalado que “el desenvolvimiento del ser humano no queda sujeto a las iniciativas y cuidados del poder público. Bajo una perspectiva general, aquél posee, retiene y desarrolla, en términos más o menos amplios, la capacidad de conducir su vida, resolver sobre la mejor forma de hacerlo, valerse de medios e instrumentos para este fin, seleccionados y utilizados con autonomía —que es prenda de madurez y condición de libertad e incluso resistir o rechazar en forma legítima la injerencia indebida y las agresiones que se le dirigen. Esto exalta la idea de autonomía y desecha tentaciones opresoras, que pudieran ocultarse bajo un supuesto afán de beneficiar al sujeto, ocultarse bajo un supuesto afán de beneficiar al sujeto, establecer su conveniencia y anticipar o iluminar (!!) sus decisiones. (CIDH en el caso Ximenes Lopes vs. Brasil (!!!!!!), del 4 de julio de 2006, parágrafo 10 del voto del Juez Sergio García Ramírez).”

Nao é incrível?!

Outro dado que sinaliza: fizeram uma análise comparativa de 2001 a 2005 que mostra que houve um aumento de 100% das mulheres no consumo da erva contra 50% de homens. Por favor, não vão pensar que sou uma feminista ferrenha nem nada, mas pra mim isto é um sinal de mudança tipo The Times They Are A Changing: muitas mulheres que antes só fumavam tabaco, porque maconha era coisa de homem, de hippie louco, mendigo e sujo, hoje também querem fumar um e jogar bola.

Tá longo o texto, eu sei. Mas se a Corte, que está composta de 99% de pessoas que não fumam, pode escrever 80 páginas falando do tema, eu que tenho o tema presente na minha vida me dou o direito a ultrapassar os 5000 toques que me pediram e, eu escrevo tudo até a última ponta.

E baaaasta de trocadilhos infames.

Cancherário: (a próxima vez que visitares a Argentina já vais estar canchero hablando del faso)
· porro (aqui nao tem no feminino, nem adianta querer tirar sarro)
· faso
· fasín – derivado de faso
· churro (!) eu sabia que o Chaves era chegado
· caño
· canário – derivado de caño
· finito (no caso de ser fino, justamente)
· cigarrillo de marihuana (o mais ousado)

Outubro 2, 2009

antipatias animais

Arquivado em: Uncategorized — caracoles @ 5:06 pm

Acordei com a macaca.
E ela não me deu bom dia.

Agosto 16, 2009

Castingfóbica

Arquivado em: los aires son míos — caracoles @ 12:03 am
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Tá lá, Gmail (1). Abro o mail, era quase um intimato de uma agência de modelos pra eu fazer um casting. Me caíram as medialuna do bolso.

Sim, porque isto calhou de me acontecer no cume das minhas vinte e nove primaveras, durante o inverno, justo quando estou mais pálida que um palmito. E com todo esse desvio de septo rogando por uma cirurgia. A gente sabe a diferença entre uma mulher que é bonita só porque quer e uma que é bonita porque sim, ora bolas.

Lembrem-se, muchachos, a brasileira que vos escreve mora atualmente na Argentina, país de moeda bem fraquinha (embora chame-se Peso, quanta ironia rsrs – às vezes não resisto a esses comentários picantes) num mundo onde a publicidade tem todos os culhões. Logo, marcas do mundo inteiro vêm rodar seus filmes nos bons ares pra modo de enxugar seus orçamentos bem enxugadinhos. E, de quebra, ainda descolam locações pseudo parisienses em qualquer esquina.

No mail, a também brasileira mulher que trabalha na tal agência me dizia que tinha mandado minhas fotos e queriam me ver. Juro que foi minha tia quem teve esta (in)feliz iniciativa/idéia, mandou umas fotos minhas. “- Tão bonitinha que é a Elena. E tão típica! Tá na cara que é brasileira, então pra algum comercial haverá de servir, pode se divertir e ganhar uns pilas…”, pensou minha querida tia. Ela é uma caixa cheia de boas intencões, e são justamente as boas intencões que terminam nos fodendo a vida. Mas há amor ali, eu sei que há.

O bizarro é que a mulher me ligou e disse que eu teria que por favor ir vestida bem leve e jovial porque estavam procurando meninas de 18 a 22 anos com aspecto bem.. jovem, justamente. Não entendi patavinas, mandei mail agradecendo pela parte que me tocava, mas que eu já passei da metade do meu vigésimo nono ano, eles devem ter se enganado, e que, embora eu até aparentasse um pouco menos, se vê claramente que nao sou nenhuma ninfeta. Eu sou é uma mulher, e das bruxas. Bruxa com critério. Os trinta me chamam e eu vou mesmo.

Ela me responde dizendo que não, eu nao tinha entendido: eles viram as fotos e realmente queriam me ver. Que eu fosse de vestidinho simples e elegante (ah vá!) e de salto alto (ah vá! porra.) Que teria que estar lá amanha, às 10 da manhã, líndiba e bélida, pronta pra lutar pelo papel de garota propaganda com outras meninas, certamente de uns dezoito, puras Lolitas.

Já fiz um casting. Aqui mesmo, há uns meses, acompanhada da minha prima. E hoje casting pra mim desce menos que mate com açúcar.
Nao se ofendam os que vivem de disso, os que curtem fazer propaganda, cadum cadum, e sei que muita gente vive disso e se deleita. Massa. Pra quem se deleita. Pra quem nao curte é algo assim como ir no dentista e, enquanto rola a obturação – sem anestesia porque era em oitenta e picos – olhar pela janela e ver que vai cair um toró. É muita dor e pânico ao mesmo tempo. No casting que fui, tive que fazer ceninha e tudo. Enquanto todos ali (eu e minha prima éramos as únicas virgens naquilo) se sentiam extra à vontade, eu me sentia um sapo de outro poço (também conhecido como peixe fora d’água, embora eu ache o sapo mais adequado ao exemplo. Ok, já comecei eu com as idiomaticidades). Pois bem, eu me senti vouyeur. Meio roadie de banda grande. Observando o mundo deles, os extrovertidos são casados com a câmera – e têm um affair louco com o ego. Ôxi, que triângulo. Claro que tinha gente bacana, mas tinha cada um mais fora do ar ali que vou te contar. E vou mesmo: na sala da casa onde tinha sido marcado o pesadelo, estavam todos esperando pra entrar e começar, e eu dê-lhe a observá-los como se fosse uma fotógrafa na África coletando imagens pra National Geographic, tal qual. Eis que um grupete de conterrâneos se aprochegou e conversamos. Digo, eles conversaram comigo. Eu nem abria a boca porque minha língua teria se afogado ali mesmo. Enquanto perguntavam o meu nome se olhavam no espelho. E comigo é: ou fala comigo, ou se olha no espelho (exceto casos de amigas conversando no banheiro ou namorido escovando os dentes em casa enquanto eu me maquio).

Era um constante set de filmagem a vida deles ou o quê? Flagrei uma guria (que eu já tinha detectado como louca de atar logo na entrada) sentada com um livro, as pernocas indefectíveis à mostra, mas tinha algo errado na cena: ela não lia. Ela fazia que lia. E aí eu constatei: ela fitava as unhas dos dedos que apoiavam o livro no seu colo nu. Ui. Também, volta e meia, olhava os pelinhos da perna que não estavam tão dourados como deveriam. Ela não lia. Era um livro de espiritismo, algo do gênero. O que importa é que ela via o livro como mais uma ferramenta pra uma cena que só acontecia na cabeça dela. E no meu olho clínico, é claro.
Olha gente, eu não sou o que se pode de chamar de cúmulo da timidez, tenho meu grau de extroversão e meu ego aqui, inflado e bombado constantemente por mim mesma, me amo me adoro nao consigo viver sem mim e tal, mas segurar a plaquinha de frente pra câmera enquanto um povo canchero naquilo me olhava pareceu, no mínimo, uma brincadeira de mau gosto. O tipo da experiência pela qual só pessoas com aspecto muito típico/nativo/étnico/folclórico/pitoresco, passa. Não dou pra coisa.

Respondi o mail pra mulher de forma muito amável (coisa de covarde dar o caô por mail, eu sei, mas eu faço merrmo, to nem aí) dizendo mil gracias, mas me sinto incômoda em frente às câmeras e não uso salto alto nem por decreto, que preferi ser honesta e deixar a vaga pra alguma menina que curta. Os cinco mil pesos do cachê em questão não mudaram minha vontade, e o mail seguinte da mulher dizendo que pelo amor de deus eu fosse, tampouco. Acho que a fama – ainda – nao está pronta pra mim. Muito menos o salto alto.

Não ia contar essa parte, mas verdadeira I must be: uns dois dias depois de eu ter me feito a gostosa e dito que não, conversando com uma grande amiga (também brazuca, também típica e que também reside aqui), ela me diz que eu deveria ter ido, que frescura. Pensei, considerei e mandei mail de novo pra mulher, com o rabinho brasileiro entre as pernas curtas, perguntando se ela ainda me amava, se ainda me queriam pro tal casting. Nunca mais me respondeu. Toma, Elena, toma. Eu tenho mais é que me foder mesmo. Agora, bora trabalhar meses pra fazer a grana que algumas horas me brindariam. E, de quebra, poderia ter visto mais cenas incríveis como a rapariga que lia as próprias unhas enquanto eu roía as minhas e pensava: meu mundo, este deus está perdido.

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