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no creo en brujas, pero que las veo, las veo. janeiro 13, 2010

Posted by caracoles in balzac aqui me tens, não sei se caso ou se compro uma vassoura voadora.
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Eu queria poder eliminar todo e qualquer charlatão da face da terra.
Sabe-se que estão por todas partes e dominam as massinhas encefálicas mais frágeis. Fazem dinheiro às custas do desespero e/ou cegueira alheios. Sangue-sugas da fé, esses malditos. Tenho um escudo tão grande contra charlatão que não afrouxo nem com a astrologia, que é razoalvelmente aceitada, as pessoas lêem horóscopo no jornal como lêem tirinhas. Depois de ler, vão fazer as suas coisas e o horóscopo ficou lá, no jornal. Eu, pelo menos, sou assim. Ignoro toda e qualquer tentativa de mensagem generalizada, e não faço força, eu simplesmente esqueço a relevância, ou não considero relevância alguma. Posso até achar bonito, coerente e com uma certa boa vontade de literatura ali, mas não passa disso. Não vou agir segundo o que diz nem o horóscopo, nem i-ching, nem cartinhas de fêmeas deusas, nem aos e-mails da minha mãe implorando por juízo. Sou chata mesmo. Com toda a chatice que pode conter num aquariano. Ou num taurino, ou num virgem.

Mas eu vim aqui, nesse post, especialmente pra dizer que se eu tivesse que escolher um só dos charlatães pra eliminar, eu caçaria com todo o meu instinto homicida, o que inventou o inferno astral. Porque eu estou começando a acreditar, e isso me tira do sério: se tem coisa que aquariano não suporta é que provem o contrário. O contrário também é sempre uma hipótese proposta pelo aquariano, ele propõe tudo, então se alguém vem dizendo que não tinha a razão, ele (eu) pira (piramos). Desculpa, que absurdo, eu falando de signos.
Comentei já que este inferno astral está mais forte do que nunca? Pois está, e certamente é porque os 30 estão empenhados em chutar a minha porta e a me ganhar no grito.

Tem nada não. Tem sim, e não é pouco:

Hoje é o segundo dia de inferno astral, segundo o charlatão, e:

* Fri/Frida/Fridinha, a gata-bebê de 2 meses, caiu da janela, 4º andar. Não, não tinha rede, amanhã a gente põe. Melhor nem falar neste assunto, porque, sim, eu avisei. Frida passa bem e é valente, faz jus ao nome. Credo, quase me arrependo da ideia do nome. Se a coluna dela não se curar, vou começar a acreditar até em paranormais e comprar uma cadeira pra pets e parafernália de pintura, e ela será a primeira gata pintora, yay! (nem o inferno astral me cega o lado bom das tragédias do cotidiano)

* Não se toma mais ducha quente nem morna nesta casa: estragou, de novo, o bagulinho da ducha, e assim não dá pra querer, porque não é todo dia que a temperatura marca mais de 30º, e água fria no frio, só pra curar as bebedeiras mais extremas mesmo.

* Ainda fazendo a linha Manutenção, na cozinha já não se lava louça com água fria, senão inunda tudo. A água brota do chão, é uma coisa até deliciosa e lúdica quando faz muito calor, se estás de pés descalços é quase uma bênção, refresca o pezinho que é uma beleza. Mas, a seguir, é nós de quatro (calma) secando o chão. Cansa os quartu.

* Últmo, porém não menos importante da linda de Manutenção e Tragédias da Casa: a tão necessária e liberadora descarga não passa nada bem. Balde do lado. Nesse nível, estamos finos por aqui.

E, claro, o cara da manutenção me deu o cano, vejam que trocadilho adequado.

Rinite, alergia pegada, dor de dente? Sim, isso mesmo, meus problemas não só não acabaram, como vão se dando as mãos, unindo-se contra meus vinte e nove anos, que já se vão assim tão rápido.

Estão quase me convencendo deste adulticídio.

Embora eu continue achando que é tudo uma grande bobagem e que não se trate de nada além de um dia, um símbolo pra fazer lembrar que o tempo passa e. E? E daí que passa, se a ideia é essa? Não dá pra se angustiar, não dá pra correr. Mas caminhar mais rápido ajuda, tirar de letra ajuda.

É claro que já passei por momentos assim antes. Tudo junto acontecendo ao mesmo tempo, reunidos em conferência pra testar meu jogo de cintura, meu samba no pé e minha capacidade de sorrir. Mas né, nos trinta tudo tem um novo contexto, e como sou aquariana, já to lá, corri antes, eat my dust.

Ó, a Fridinha tá brincando de novo, vou lá admirar.

Já nem acredito mais em nada, só sei que ando mesmo mais canceriana.
(Porque aquariano não acredita, aquariano sabe.)

Retrospectiva 2009 (?) dezembro 30, 2009

Posted by caracoles in los aires son míos.
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Eu juro que nunca fiz isso antes, e confesso que sempre achei bastante ridículo / inútil / batido / infantil / fazê-lo.

Eu antes, costumava menosprezar pessoas que fazem isso. Desdém puro eu tinha por elas, montes de gentinhas vazias.

Mas isso era antes: antes de eu ver que, graças ao Antes, existe o Agora, e graças aos dois, existe o Depois. (adoro quando as rimas se jogam assim sozinhas nas minhas letras e gritam Jerônimooo)

E o Depois é justo quando a gente se dá conta que não sabe de *p.n. e percebe como a vida se encarrega de nos fazer engolir tantos vícios toscos de conduta, tantos pré julgamentos, pré-conceitos, pré-amigos, pré-projetos, tantos prés que não dão em nada. E a gente engole todos eles sem nem um doce de leite pra descer mais gostoso, tudo por um camarote no inferno, com vista pro bar.

E, como se não bastasse atar tantos nós em nossas aflitas mentes e fazer-nos tragar amarguras, essa mesma vida nos faz mudar de opinião, nos faz dirigir através de outros pensamentos e agir de maneiras por nós nunca dantes consideradas. Aí é que a vida nos compensa e diz: “É tudo pro teu bem, dói mais em mim do que em você, bla bla bla”.
E, se tentarmos ignorá-la, depois ela haverá de nos cuspir vitoriosa um “Eu te avisei…”. Marvada que só.

Sim, porque eu, Antes, não conceberia uma ideia assim, jamais.
Mas isso era Antes: agora que o Agora e o Antes passaram, agora sim é que são elas, e agora sim é que o Depois chegou, e eu sei cada vez menos. Só sei que engoli essa e estou tentando vomitar uma… argh!

Tanto rodeio é pra me desculpar, pra passar por cima, e principalmente pra não deixar a coisa cair no pior abismo do mundo: o abismo do patético, do lugar-comum, do clichê, do nojento, do forçado, do óbvio, do tedioso, porque esse é o abismo que não tem galhinho pra segurar durante a queda, esse aí é pá-pum, escorregou, foo-deu: caiu, não tem volta. Então eu piso meu pezinho bem suave, devagar, com cuidado pra não me sentir nem muito ordinária, nem muito bonitinha.

Mas basta de tantas voltas, que eu mais pareço uma barata envenenada. Só quero assumir esse meu lado que antes gritava em mim, enquanto eu tratava de sufocá-lo: o meu lado de Pessoa que faz Lista. Lista. No plural não, po. Tá certo que eu estou a abrir meus horizontes fazendo uma lista, mas calmalá que pra tudo nessa vida eu tenho ideologia, e pra o tema Listas não seria diferente. Esta será a primeira, e não digo que a última, mas certamente não há de se tornar um hábito. Ou sim. (ops, caetanei um pouco agora, melhor recuar mais esse pezinho…)

Eu vou, sim, fazer um balanço do ano que está à beira do fim. E, pra me auto-self-surpreender-me a mim mesma ainda mais, o farei em forma de uma lista. Sim, por ordem de importância (duvido). Sim, tipo Top Ten Elênico de 2009 (duvido mais).

Antes, eu teria nojo de mim mesma por fazer semelhante coletânea de fatos. Mas Antes eu tampouco tinha muito pra balançar. E tampouco era tão velha que pudesse chegar ao ponto de fazer tamanha imbecilidade sem a mínima vergonha. Mas isso é só porque o ano que está a passos do fim foi, no mínimo, saracoteante.

Tá difícil engatar a primeira nesse texto apocalíptico (?), e não é por falta do que contar: é porque eu simplesmente sou uma pessoa que tem forte aversão a listas.
Minha aversão é a números. À ordem. Ao que tenta organizar. Não porque eu não goste, e sim porque eu não sei. Odeio tudo o que não sei. É, eu sei, eu sou assim.
Eu não sei enumerar, não sei ordem de importância e, pior do que tudo isso, não sei realmente o que é de bom tom tornar público e o que deve ficar resguardado em meus pensamentos mais secretos. Arranhem-se, lambam-se, mordam-se de curiosidade (a minha vida é tão importante quanto a tua e isso é algo incontestável), porque obviamente o que eu não achar de bom tom, acá não há de se publicar. E quem pedir pra eu definir “bom tom” vá é tomar Nocou, que é uma bebida francesa bem forte, tchau e boa ressaca.

Claro que a minha lista tinha que ser diferente das demais, e começa logo com um prólogo (risos, muitos risos aqui) de misericórdia, eu gosto mesmo de me explicar, até quando a explicação é para um Ano, o estimado dois mil e nove:

Prólogo de misericórdia para com o Ano de 2009 Depois de Cristo, Depois de Lennon e Depois de Lula, que hoje em dia tá mais cotado que Cristo, Lennon, Hendrix, Vinícius de Moraes, Bohnam, Bon Scott, e toda a turma boa que morreu em 80. (aqui eu poderia dizer que o mundo quis compensar tantas perdas com o meu nascimento, que se deu naquele ano, mas ai! também não é porque eu não tenho nada pra fazer que vocês vão ter que ler besteiras, ou num é).

Olhando assim pra ti, Doismilenove, tu com essa carinha de quem não fez nada… dá até pena. Dá até vontade de te poupar, de te pegar no colo e te levar de volta pra Idade Média, quando ainda não havia tanta gente chata, do tipo que faz lista. Mas eu e tu sabemos que sim, fizeste muitas coisas, 2009 querido, e não vem bancar o bom moço. Fizeste arte, Doismilenove. Não arte de arte, e sim arte de criança arteira mesmo, sapequices barra-pesada. Doismi (apelidei assim. ano que vem, se eu fizer outra lista, penso em outro apelido), tu simplesmente foste o mais traquina, o mais levado dos teus outros dois mil e oito irmãos. Só não te dou palmadas na bunda porque corres tão rápido que ui! já é dia 29. Corres tão rápido que já te vais assim. Sem dar tchau direito, sem me dizer porque as coisas se transformam com o passar de (hum)Anos como tu.

É só um dia no calendário, mas pensemos:
a vida é feita de quê mesmo?
De trens, felicidade, música e praias desertas? não.
De paz, homicídios, casas novas, amor, harmonia, fúria e desprezo? não
De dores e alegrias?

não!

a vida é feita só de

anos

E lá se vai mais um e vem mais outro, essa vida é um vai-vem de anos que vou te contar. (mas não vou aqui contar todos eles, nem esquentem a cabeça)
Já me vejo sentada em algum sofá de Doismilequinze pensando que Doismilequatorze foi o ano mais malandro, mas. Mas não, eu não sei se haverá algum sofá em 2015. Não sei nem se estarei viva, não sei nem a cara dos anos que não aconteceram! E a cara do Doismi eu conheço! E é a cara de quem tá querendo alguma coisa e não sabe bem o quê, mas enfim, tá querendo, e só por isso eu já respeito este ano que em 2 dias existirá tanto quanto as minhas economias.

Adoro me dar a razão quando eu pareço até me conhecer um pouco mais: não, eu não gosto de listas. Tanto é que ops! Terminou a lista sem eu nunca ter feito uma. Cala a boca, Elena, que não é de bom tom nada disso, muito menos ameaçar fazer uma lista e recuar, nem fazer a *p. da lista lista, nem analisar muito o que passou. Só o que ficou, que foi essa mochilona mais pesada, mais cheia de roupa suja, roupa nova e algumas quinquilharias, mas indiscutivelmente, mais cheia de elenas dentro, cada uma pra desvestir um próximo ano que virá. É só uma data, a gente sabe. Mas ai, os (hum)Anos…

Por um ano sem listas! Sem ranking, sem top do caralho a quatro, será um ano top less!
Hei de defender sempre a doutrina dos que vivem sem doutrina e sem ligar pra calendários, sem ligar pra listas, porque, como já disse Dylan: I don´t believe you!

E que seja um muito feliz Doismi(lidez)! Assim como foram seus irmãos.

*p.n.: porra nenhuma
*p.: porra
(glossário óbvio pouco é bobagem)

Las guitarras voladoras de Charly Papádelrock García novembro 30, 2009

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Já é sabido que o argentino é um ser rockandrollero por natureza. Parece que eles já nascem de barba crescida, curtindo guitarras e esses cabelos de raros peinados nuevos.
Sempre achei o argentino um eterno adolescente, visto que saltam como púberes num show e qualquer banda tocando é motivo suficiente para tornar-se um evento de proporções woodstóckicas. Eles vivem do passado, respiram saudades em tudo e de tudo. Cultivam amizades de infância como quem vai ao dentista, idolatram ídolos de décadas longínquas, e ainda por cima tem o lance das moedas pra poder subir num ônibus. E os próprios ônibus nos remetem a outros carnavais, já que mais parecem bondinhos antigos. Nostalgia é o que define os hermanos, e eles têm o tango – e o Maradona – pra provar.
Mas eu aqui não tenho que provar nada, é só o que eu penso mesmo, são as minhas portas argentinas da percepção.

É importante entender como é o argentino pra entender porque só eles conseguem protagonizar com tanto entusiasmo e entrega o seu momento com o artista.
It’s only rock and roll, but they like it. Y mucho.

Doismilenove, 23 de Outubro, estádio do Vélez: a sensação pré-show do show do Charly García (debaixo de muita chuva, muita mesmo – e das que molham!) foi, como sempre antes de um show de um artista querido, pré-orgásmica. Ainda mais quando o show do AQ (artista querido) é no dia do aniversário dele. (Charly tem tradição de agendar shows no dia em que faz anos).
A adrenalina antes de um show é meio como a de esperar pra nascer, a gente não sabe bem o que está por experimentar, mas sabemos que promete.
E o mais massa é justamente que num show são muitas pessoas esperando pra nascer ao mesmo tempo, é praticamente um orgasmo coletivo do rock.

E esse show do Charly García foi histórico pra todo mundo, principalmente pro próprio. E dessa vez não foi marcante por brigas na banda, ou porque Charly teve um acesso de fúria, quebrou tudo e mandou o mundo se foder (antes, quando ainda era o Charly que a Argentina conheceu, ele fazia esse tipo de coisa bem seguido): dessa vez foi histórico porque era a primeira vez que se veria ao Lennon argentino cheiroso e limpinho, recém saído de uma longa internação. Tá mais velho. E mais gordo, mais lento. Mais avô, meio tiozão.
Quando o vi no palco percebi que a adolescência do Charly agora sim era parte do passado. Ele está num momento de renascimento, reaprendendo a se entorpecer só pela música, a conseguir por outros meios o estímulo que as drogas lhe davam antes, e Charly não era do tipo que se impunha limites, ele fazia questão de romper todos, mas a idade chega e o corpo pede um recreio do recreio, então ele precisou dar um tempo no que fazia ele ser o Charly, e agora se vê sendo outro Charly, mais delicado e calmo, mais… avô, justamente.

Tocou e cantou lindamente, foi direto e sem rodeios pra passar de uma música a outra, fez uma ou duas piadinhas (ok, eu conto a que eu lembro): como sabem, a chuva não deu trégua o show inteiro, e uma hora Charly joga os braços pra cima, olha pro céu chorão e pede a Deus que por favor pare de cuspir. Com aquele jeitão dele, que só vendo. E eu só via mesmo porque meu querido concubino me levou na garupa mais da metade do show. Um santo. E eu, uma mula: num rompante de inconsequência, resolvi ir de saia e Havaianas. Sim, chinelos de dedo. Na pista. E na pista dos pobres (a Say no More), porque, creiam ou não, sim, Charly pecou: fez o lance da área vip no estádio. Daqui pra lá, é fã rico, e dali pra lá, fã pobre. É feio fazer esses nazismos, mas ele fez, e eu fui mesmo assim porque ele é o cara. Foda foi no dia seguinte, eu conversando com um conhecido que foi de Piano Bar – o nome da área vip, saquem só – e ele me conta que ficou só até a metade do show porque não agüentou a chuva, isso sim é que me dá dó. Dó e algo de ódio também.

Tudo indo às mil maravilhas, todo mundo já tinha cantando o parabénspravocê argentino (pra quem não conhece: “que los cumpla feliz, que los cumpla feliz, que los cumpla ….. e aí ninguém sabia encaixar Charly na letra, foi engraçado), a chuva e o frio estavam consumindo os que não pulavam e, no fundo, como de costume, o povo espera algum convidado especial, alguma aparição do além, algum Ser Maior, alguém que merecesse ser chamado pelo artistaquerido ao palco. E esse alguém desceu dos céus (mentira, entrou caminhando mesmo, eu é que trato de dar um toque celestial às coisas), era ele, o adorado, o sensível, o mago, o amigo, o Flaco, Spinetta. Pânico e loucura na pista, gritos de “Flacoo, flacoo”, cantam “Rezo por Vos” juntos, para o delírio geral da nação.

Não vou tratar de listar música por música, não tenho memória pra isso nem muito menos vou catar no google o set list porque isso vocês mesmos podem fazer. Só digo que a seleção do repertório foi feita cheia de intenção e intensidão (essa palavra ninguém conhecia – nem eu) de fazer todos pularmos feito teletubbies no campinho. Porque, de fato, todos pulamos, e muito. Eu lá, bem confortável na minha personal garupa (achei ótimo que ninguém tenha me gritado barbaridades por eu estar tapando a visão, o povo queria curtir e ver curtir, isso é atitude rock. pô), aquelas ondas de gentes de um lado pro outro, aquele côro constante, a chuva em prantos, todos cantavam cada letra como se fosse o hino nacional. E era rock. Charly. mais um show inesquecível que esta cidade me brinda. Vale contar que Buenos Aires já tem no meu CR – Curriculum Rockae: Stones em 2006, Spinetta em 2007, Dylan em 2008 e agora Charly. Só não digo que já posso morrer porque ainda hei de parir 4 meninos, e eles hão de ser os Elenitols, porque o mundo ainda não curou a saudade dos meninols de Liverpool.

Charly é amante de rock e fala pra todo mundo, e todo mundo entende, sem frescura, sem precisar dizer que é bom. Ele é autêntico e genuinamente forte. Então ele acha que deve falar, cantar e voar suas guitarras e seus dedos no piano. E se não lhe dão bola, ele se joga do nono andar de um hotel, cai na piscina e sai nadando, aí sim vão ver qualé. Hoje em dia não creio que ele se atirasse assim, sem droga fica foda neguinho ter um impulso desses, mas alguma ele aprontaria. Ou não. De repente ele já assumiu o coma do adolescente que morou nele, e concluiu que tão somente com um show inolvidable, se diz muito. Charly conseguiu afinar até a chuva naquela noite.

Ele foi generoso, porque deixou a gente extravasar com ele, e gentil quando pediu amavelmente a Deus que parasse com essa ideia maluca de cuspir no povo ensandecido.
E, como sempre depois do show de um artista querido, nenhuma canção há de soar como antes, cada uma há de me remeter à euforia e a alquimia de charlygarcía.
Hay que envejecer pero sin perder la rockura jamás, nenes.

Argentiniser o no argentiniser, esa es la cuestión. novembro 23, 2009

Posted by caracoles in Buenos o no, los aires son míos.
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A ver, no entiendo. Me siento perdida y sin una gota de identidad.

Cuando sabe uno si ya está metido hasta la última cana del pelo en el pozo cultural de una sociedad o si todavía le queda aire como para que consiga seguir respirando su instinto de preservación de la especie? No es la primera vez que me agarra una crisis así, pero antes el tema era más por el idioma que otra cosa. Ahora es más grave, tengo la sensación de una desflorada virgen. Es una cuestión de costumbres, onda tribu.

Perdón, hermanos brasileros, pero les debo confesar (y encima la cara dura lo hace en castellano) que me pasé toda la noche anterior…

jugando el truco

Y

tomando Fernet – algo impensable hace unos meses atras, cuando entonces el Fernet tenía un gusto a essencia de Novalgina y no me cabía para nada.

Para llegar a realizar ese tipo de acción, uno no tiene unicamente que ser mayor de edad: tiene que, más que nada, abrir la puerta de su nacionalidad de par en par, porque en el momento exacto en el cual una noche así te llena de alegría, es también el momento exacto en el cual tu brasilidad sale por la ventana, corre y grita:
“-traidora”! Pero a mí no me grites. Sigo mi camino, por las rutas argentinas, rutas argentinas, hasta el fin. (según la letra de Almendra, es hasta el fin).

Con este post – mix de crisis de identidad y de los 30 que ya están por patear la poca sanidad que me queda – puedo concluir que además de hablar y escribir tal cual los porteños lo hacen, también me estoy convirtiendo en un machito que escavia con envidiable resistencia, dice malas palabras y dice “escavio”. Si no en un machito, por lo menos en una mina con muchas bolas (aunque a mi siempre me hayan gustando más los “cojones” que simplemente “bolas” – las bolas también las tenemos en Brasil, pues). Me encantan las malas palabras en cualquier idioma, a decir la verdad.

Y la idea de una noche de Fernet y truco ya me cabe: creo que soy la más nueva hembra alfa afro-braso-argenta.

Sol na Lage # 2 novembro 9, 2009

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Episodio de hoy: Intriga Musical – Estarán hablando del hongo?

Escuchando a la hermosa y jipe canción de Sui Generis, “Tribulaciones, Lamento y Ocaso de un Tonto Rey Imaginario o no” – vaya titulo! Más enroscados que nuestro amigo Caetano Veloso con su clásico “o no…”

Fijense en la letra, donde Charly canta:

Teníamos sol
Vino a granel
Y así pasábamos
Los días
Tomando el té
Riéndonos al fin

sería este un té de hongos?
el contexto me dice que es muy probable que si.

* Capusotto, te vendo la idea del “personaje que habla del hongoooo” si querés.

Después hablamos de la letra de “La ruta del tentempié”, un escrache bárbaro de un loco de extasis. Oh, la juventud…

Conselho de amigo: você é o que você está por comer novembro 9, 2009

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Quando a gente sabe que está a ponto de dar um conselho a alguém, sente que por alguns instantes essa pessoa pode ser mais feliz -sim, feliz- através de idéias lançadas, chan! por ti.

O que estou a fazer é puro altruismo (mentira, depois eu faço questão de umas bruschettinhas de brie com beterraba). Pro bem de vocês, eu aviso que a comida jânica será uma experiência tão mágica quanto a de ver uma amiga tão querida encontrando seus temperos e fazendo bom uso de todos eles.
Morei com JanGirardi durante um ano e meio na ensolarada Londres, quando comíamos, incendiávamos e filosofávamos como se não houvesse amanhã (só faltou o Era Uma Vez…)
Lembro das geléias feitas (pela chef em questão) com uvas colhidas do nosso próprio jardim na casinha humilde de gente humilde, quevontadedechorar, ao norte, zona 3 – pânico – de London. Eram orgias gastronômicas, pastinhas verdes de outro mundo, e aquele pão de azeitona que eu tento, mas não consigo imitar. Os sushis comunitários e uma garrafa de tequila em menos de quinze minutos. Ok, não é comida, mas lembrei e me marejei os olhos, éramos como índios dançando em volta da mesinha (mesinha rsrs) de centro.

Por que é mesmo que se diz que a gente é o que come?
Porque se comer direitinho o coucou sai mais cheiroso e evita celulite?
Comer direitinho não serve. Pô.
Bom é comer com todos os sentidos.
Porque comer bem é algo que te alimenta o coração,
através do prazer que é comer, uma necessidade tão básica e, por isso mesmo, tão importante.

E, como diriam os bitols: think. e, de quebra, chegue aos sixty four contente e saudável (até por ali, sei o quão pagãos somos).

E se recomendo essa pessoa e esse lugar, é porque sou testemunha das delícias que Jan pode fazer na alma da gente. Mais que uma amigairmã muito querida, é daquelas pessoas que te fazem acreditar que o tudo o que se bota pra dentro se vê depois, e é no sorriso – que é uma coisa tão importante como, justamente, comer.
Saravá!
cheers, mate!

Que a alquimia te acompanhe sempre, amica!

And in the end
The love you eat
Es equal to the love
you cook
*aqui anuncio a última referência beatlemaníaca deste post

(Fica em Porto Alegre, chau)
http://chefjanaprimeiroandar.blogspot.com/primeiro_andar_010

tudo chove – ou não novembro 3, 2009

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mas, também!
choveu um fim de semana inteiro
já não chove música nos meus tímpanos porque meu emepetrês estragou
acordei, as gotas na janela: choveram meus olhos e choveu meu coração
visito meu jardim, as pobres flores pelo chão
meu sol na lage choveu e minha pele choveu de ira
agora mesmo, chovem meus dois litros de menstruação
chove em cima da lua – um abuso, visto que ela está cheia (ainda por cima isso)
e ainda vêm me dizer é tudo desculpa
pra chover reclamação

chuá chuá chuá

Sol na Lage # 1 (coisas que passam pelo meu sol quando tomo na cabeça) outubro 18, 2009

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Episódio de hoje: Papai me contou…
(toda essa sabedoria no primeiro dia de visita do dito cujo aqui na ciudad autónoma)

1. que as medialunas são assim chamadas porque a massa usada tem origem árabe – vide bandeira deste país.

2. que a música “O Mundo é um Moinho”, do Cartola, foi feita pra filha dele. (que fuerte, tíos!)

3. que quando eu era quianssa, bem eleniña, os churrascos ao meio-dia dos meus pais e seus amigos se extendiam até virarem carreteiro à noite, e tudo devidamente regado a caipirinhas, cervejas e afins. Agora tudo faz sentido e essa minha boemia bukowskiniana incorrigível é culpa deles. Respirei aliviada depois dessa.

4. que ele conheceu o Carlos Lyra.

5. que sou que nem a minha mãe e os girassóis: só sou verdadeiramente feliz quando ao sol. Ok, eu já sabia, mas isso dito por ele tem outra vibe.

6. que ele mamou no peito até ter uns 3 anos (ou seja, um marmanjinho). Diziam que mais um pouco e ele dava uma mamada, fazia uma torradinha e voltava pro peito.

7. que a mãe dele (vovó Hortensia) teve 11 abortos, o que faz dele o 12º filho. E é filho único, vejam só.

8. que cervejeiro é cervejeiro sempre, e maconheiro é maconheiro sempre (com aquele jeito dele de quem diz uma grande verdade inconstestável. e quem sou eu pra contestar?)

9. que 9 de Julho foi o dia em que o pai dele (vovô Sady) e o Vinícius de Moraes morreram. E que foi também nesse dia que ele descasou da primeira mulher e casou com a minha mãe.

10. que achou Buenos Aires bem fácil: “ali tu tem a Cabildo, mais pra lá a Libertador, prum lado tá o centro, e pro outro, a província. Simples.”

11. enquanto eu comprava uma lembrancinha religiosa na Iglesia de Nuestra Señora del Pilar pra ele levar pra minha vó Edith – a materna – e concluía que há muitos anos que só dou presentes de origem católica pra ela, ele me larga essa: “é… já tá com oitenta e cinco, é bom ir abençoando mesmo…” Humor negro mode on total, eu não sou sarcástica assim por acaso. Respirei aliviada de novo.

12. que ele costuma reconhecer a nacionalidade das pessoas pelos sapatos. Genius.

Melhor parar por aqui: hoje é domingo, ele volta pra Porto Alegre na quinta-feira e eu já to chorando de saudades, nível: soluço.
E, tomando esse sol na minha lage porteña, só agradeço por minhas lágrimas não serem de limão.

El culpable

El culpable

projeto de banda # 1 outubro 13, 2009

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e se…
ao invés de ressurgir a Seru Giran
criássemos a Seru Mano?

* músicos e manos, tratar aqui.

Doce vingança doméstica outubro 8, 2009

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* balde, água, clorofina, esponja, luvas, Cif baño (se tiver o “crema”, melhor ainda)

E lá vou eu, balde em punho e figurino de farrapo – como pede a ocasião, munida pra guerra contra os germes, limpar a banheira.

Esfrego, limpo a cortina, faço acrobacias pra, toc toc toc, não quebrar a minha bacia tentando alcançar a última esquina da banheira e ter uma morte tragicamente patética.

Quartos de hora depois, cumprida estava a missão, e eu achando que essa banheira merecia um troco. Mudo o figurino e a munição: sirvo um uísque amigo, acendo a vela e pingo essência perfumada no coisinho aquele. Um jazzinho pra acompanhar, o paraíso agora era a banheira.

Olho meu pé, amaciando o sabonete de forma eroticamente sarcástica, e penso: sim, a vida também é feita de pequenas vinganças.

Elena 1 x Banheira 0