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		<title>Sobre a Bahia, a Anarquia, e outros convites</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 13:16:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas afinal de contas, por que cargas d’água do mar não me sinto plena, realizada e radiante?  Ora, se me saí de uma cidade enorme, portanto caótica, para viver num diminuto e supostamente sossegado povoado ao sul da Bahia, com suas praias recortadas por alguma ágil tesoura do senhor nosso deus, sua verde mata a deleitar-nos com seus cacaus pendurados, seus coqueiros esvoaçantes, sua deliciosa e abundante maconha em forma de crustáceo, seu azeite de dendê todo bezuntante, suas frutas que mais parecem flores e flores que mais parecem frutas, sua gente hospitaleira de um andar e falar empolgantes, a Bahia tem um jeito, mas todos os dias me pergunto por que não consigo me convencer de que o paraíso não é uma mentira das graúdas, que essa coisa de viver perto do mar e de gente que ri fácil não se trata exatamente de uma experiência celestial. Será por que o riso aqui é fácil até demais?  Tão fácil que parece de mentira? Será por que a única forma que conhecem de mostrar os dentes é sorrindo, e nunca rosnando a um malfeitor, por exemplo, enquanto são,  geração após geração, anulados, explorados e tratados como mulas, ejetados pra fora de seus lares sem maiores delongas, ejetados pra fora de um sistema mais feroz do que uma sabiá braba que defende seu ninho dos macacos, enquanto  sua cidade, a que eles viram nascer, é engolida por tratores, investidores e pastores amadores.</p>
<p>Sabem-se malfadados, malogrados,  mal vestidos, mal educados e mal paridos, sabem-se o mal do milênio, e sabem apenas o sentido de sua existência porque tudo pode ser explicado por um “quando deus quer&#8230;”. Observam seu lar ser substituído por alguma torre de mais um resort que enriquecerá algum homem de bolas tristes, e encerrará, durante 50 ou mais horas semanais, os potentes corpos de cada um dos seus escravalhadores. Observam, do alto de sua impotência, um porto prestes a suceder, um projeto astronômico para gerar  ganhos e perdas igualmente  astronômicos. Desigualdade astronômica,  hollywoodiana, dessas que vendem muito bem. E também o é a indústria sem fim do luxo e do lixo. Não tem como surgir poesia de um lixo que fede pouco, nem de um luxo que não brilhe demais. Se não for atlanticamente grande, não haverá de estar de bom tamanho, e este é o pensamento (ou a ausência do mesmo) do brasileiro que sentou na poltrona do conformismo, a achou fofa, macia e envolvente, e de lá não quis sair nunca mais. Não conseguem sair de suas mentes para entrar em suas cabeças. Não conseguem entender que não precisam ser convencidos de nada, então passam a vida tratando de se convencer que está tudo jóia rara, pois assim tiram de letra, e mostrar os dentes sorrindo deixa de ser uma resposta genuína do rosto para tornar-se mais um produto.  Sim, porque tudo nessa vida de plástico vira produto. Alguns com garantia, outros mais vagabundos com pouca vida útil, mas o escravo é sempre um produto fiel e quase sempre duradouro, pois é um produto e um cliente ao mesmo tempo, já que ele precisa ser produto para ser cliente. Pensas que está a chover, oh, pobre escravo? Pois não está a chover não, são só as gotas da tua testa que desabam sobre o teu braço cansado. Somos todos escravos, alguns com dois salários mínimos, outros com oitenta, e a grande maioria com tão somente um, os contra-cheques metamorfoseando neurônios em células de uma planilha de excel que calcula quantas gotas de chuva do seu rosto lhe custará cada laranja que for comprar. E há que se comprar a laranja, porque o pé que havia no quintal, bem&#8230;  O pé já era, o quintal virou cimento, tijolo e luminária nova. A horta continua com h, porém agora se chama hectare. A entrada da casa virou hall e os fundos, jardim de inverno (em pleno verão da Bahia, é mesmo uma falta de respeito).  E ele, o contratado, virou escravo da própria terra, agora trabalhando na cozinha dos que a compraram, os senhores feudais do século XXI. E ainda tem a cara-de-pau de denominar cada escravo como um colaborador. É tudo uma questão de ordem dos fatores, e esta sim, altera o produto: antes, você, estimado escravo, estava morando num pedacinho de terra. Agora que compraram seu pedacinho de terra, você trabalha para alguém que a comprou, e inclusive já lhe convenceram que precisam de você como um instrumento, você até se sente parte da equipe, a rotina laboral tem praticamente a mesma adrenalina e desgaste físico de uma olimpíada, ponto pra eles, que agora lhe tem como qualquer outro abestalhado, anulado, hipnotizado por um pão, feito o cachorro que fita um frango dourado e crocante a girar. Eles venceram: batata frita. Mas não acostuma, que batata frita no menu do staff. Nos demais 29 dias do mês, o menu é o feijão (o mulato, que tem menos gosto que o preto, mas custa incontáveis dois centavos a menos) e arroz, aquele, juntinho feito papa de nenê, é mesmo de se lamber os beiços. Mas depois de trabalhar feito uma mula, quem é que liga para o gosto da comida, não é mesmo? A vida é assim: uns tem sala, outros tem cela, uns passam a caviar, outros a cavar um lugar no refeitório repleto de famintos. Acontece que o dinheiro é a arma mais letal da qual temos conhecimento, e como dessa arma nenhum escravo dispõe, a luta é sempre desleal.</p>
<p>Sem essa de casa própria, sejamos diretos: o sonho é o de ter onde cair morto, de ter a possibilidade de encontrar a maldita paz de deus debaixo de algum teto, mesmo que seja um frágil, prestes a desabar no próximo temporal, o sonho da paz, a própria. Com isso, anda bastando. Qualquer um que tenha onde pelo menos ter um piripaque, já pode enfartar aliviado, vai morrer com a vida ganha. Não se dão conta de que não serve pensar num mal menor, que se seguirem com esses braços atrofiados por estarem tanto tempo cruzados, só farão diminuir mais, diminuir até despare.ser, até deixarem de ser.</p>
<p>Nem direita, nem esquerda, nem meio: assumamos o profundo. Porque nem a esquerda, nem a direita, nem o meio &#8211; este cada vez mais desequilibrado – podem traduzir qualquer situação. E a situação é de total complicação e destruição, descaso, ignorância e manipulação, tudo sem meios termos, sem nenhuma cerimônia. Então não devemos medir as palavras, não devemos deixá-las pela metade, mudas, abreviadas, porque a dor não se abrevia, só faz doer mais se não se alivia. E para aliviar uma dor assim, grande como o próprio mundo, não basta convidar só as panelinhas, há que se convidar todos os que estiverem nas entrelinhas da engrenagem. Cada personagem é uma gota, e se não fosse por cada gota, não teríamos chuva.</p>
<p>Não tardo em concluir que Itacaré é como o resto do mundo: um paraíso que, de tanto querer sê-lo, tornou-se artificial, e mais uma fonte de riqueza para os que, pelas leis desse sistema absurdo, merecem mais, e para empobrecer os que, sob as mesmas leis, merecem mais é ficar com as raspas do tacho, e olhe lá. Uma mentira tão confortável quanto qualquer outro paraíso, uma mentira tão confortável quanto esperar que deus não nos abandone.</p>
<p>Novas o.<strong><span style="text-decoration:underline;">port</span></strong>.unidades: o projeto Porto Sul encaixou como uma camisinha XL em japonês nos planos de crescimento desordenado através de cirurgias estruturais em Itacaré: o porto haverá de trazer, trazer e trazer. Encherá a cidadezinha de green goes de todas as partes, desses que viajam em cruzeiros, logo, portam mais dinheiros, trará também a esta, que já foi um vilarejo, drogas novas, e em abundância, porque imagina se um turista quiser usar seu cartão de crédito para outros fins, e não houver? A cidade perderia clientes, e a cidade anda mais interessada em clientes do que em visitantes. Porque quando visitas uma pessoa, não deixas a casa do visitado cheia de lixo, não tratas o anfitrião com desdém, não abusas. E aqui tem certos tipos de turistas que, realmente, não encaixam no termo visitantes, pois estão mais para.sitas.</p>
<p>Com o Porto, lá se vai outra fatia da mata atlântica, mas vejam! Nao esqueçam do que nos disseram: que haverá mais emprego, mais oportunidade. Só não deixam bem claro para quem é a oportunidade nem que tipo de oportunidade, sempre escorregam nos detalhes, que coisa, tsc. Quando ouço a palavra oportunidade tenho certos escalafrios na espinha, imagino os residentes todos na boba e perigosa ilusão de que as oportunidades serao suas. E boas. Tal qual a Pituba, rua principal daqui: deu sim muita oportunidade,  especialmente para os artistas medíocres, para os mercados novos e de péssima qualidade, mas que te vendem doritos e coca-cola a qualquer hora do dia, para o subway, essa tentativa patética de um mc donald’s saudável. Espero que Itacaré nunca tenha que ver um subway mesmo, como aquele do filme Irreversível, porque aí sim, significará que a situação estará mesmo irremediável, irreversível (e perdoem-me esta bagunca, cheguei a um filme francês por meio de uma marca de fast food).</p>
<p>Prostituir-se não serve, nem por migalhas, muito menos por fortunas. E a prostituição, no caso deste porto, atingirá uma obra da natureza da qual até Darwin falou, uma região com uma biosfera como nos sonhos mais lindos. E mesmo que Darwin nunca tivesse alucinado por estas bandas, mesmo que a biosfera daqui fosse composta só por formigas e que a paisagem fosse de uma secura monótona, ainda assim e sempre, a vida deveria ser respeitada, não invadida e evacuada. Quantos haverão de perder suas moradas, mesmo que financeiramente lhes digam o contrário e lhes convençam de que a vida num apartamento longe dali será bem melhor. Classe média, chega mais: miséria média, emprego médio, lar médio, tv média, vidas pela metade. Con.tratantes contam, descaradamente, a mentira de que o que estão a fazer é construir para evoluir, desenvolver, crescer, e outros termos comuns nesse tipo de conto de fadas que não deveria convencer a mais ninguém. O problema é que o mundo ainda está cheio de gente que acredita piamente na democracia, que nada mais é do que a ditadura travestida de anjo. Caem quase todos no conto, feito patos, tal qual mesmo os patinhos que estrategicamente posicionam no lago que serve de adorno para o quintal de mansões e outras aberrações feitas às custas da já tão cansada e impotente natureza (talvez não tão impotente assim, essas águas de março inundando o verão no sul do Brasil e limpando geral a terra do sol nascente, isso é um grito de parem, ou eu atiro! Ô num é?)</p>
<p>Os lugares do mundo andam assim, deram pra permitir que detonem sua terra, escravizem sua gente, entupam seus becos, edifiquem seus morros, esfumacem sua cultura. E, como num crime perfeito, as bases deste sistema inescrupuloso e desafetuoso ainda saem na cena como necessárias, óbvias e, por que nao, ótimas? Destróem qualquer possibilidade de manter vivo o que é genuíno e chamam isso de novos tempos. O pão que o diabo amassou já está, além de amassado, dormido, anestesiado, sem sequer qualquer aspecto de pão, e muitos seguem alimentando-se desse ex-pão que chamam de comida, vivendo desse absurdo máximo que chamam de salário mínimo, morando nesses barracos que chamam de lar e vivendo nessa situação precariamente pré-fabricada que chamam de vida.</p>
<p>Já me atrevi a perguntar a um legítimo escravo, que recebe a esmola de um salário mínimo para trabalhar 60 horas semanais, em condiçoes desumanas (porque “insalubres” é um termo maquiado e suave demais), por que será que aqui na Bahia a exploração grita tao mais alto e tem mais força, e ouvi uma resposta que me doeu tanto quanto o português desmoronante do pobre rapaz: “ deve dissê porque nóis tem menos capacidade”. E não é que ele tem razão? Afinal, quem os capacita? Quem se interessa em capacitar essa gente? Uns dois gatos pingados, que não estão tão afetados pela mania de poder, talvez. Mas sim, ele tem razão: se não sabe nem ler, como poderá contribuir para o nosso belo quadro social?  Ora, limpando, levantando peso, obedecendo bajulando o patrão. Me belisca aí: 2011, certo? Ai. Aham.</p>
<p>A tão solicitada consciência, afinal, vale ou não vale alguma coisa? E se vale, serve ela sozinha? Podemos, genuinamente, fingir que as coisas são como deveriam ser? Neil Young cantou “o mundo está girando, esperamos que você não lhe dê as costas”.</p>
<p>E quando se tem consciência, será que é possível espalhá-la no céu, na água da pia, no azeite de dendê da baiana que sofre porque decidiu que ela merece mesmo sofrer e pronto? Sem mais penso, sem mais existo: não penso, logo, subexisto. Deixam que Deus ou o pastor resolvam suas questoes. Deixam que lhes digam como fazer, o que fazer e quando. Deixam que lhes digam o que comer, como comer e quando. Deixam que lhes digam o que rezar, como rezar e quando. Deixam, inclusive, que lhes digam o que suportar, como suportar e sempre.</p>
<p>Inseridos nesse sistema odioso, o exercício de pensar nos leva à inquietude, à inconformidade, e nos leva, principal e verdadeiramente, a pensar mais. Será tão desbaratinadamente despropositado pensar em convidar aos demais, como quem convida alguém a uma celebração, a exercitar o penso? Convidar a pensar e a deixar de acreditar nas vozes aveludadas que dizem as mais bárbaras asperezas, convidar a dar vazão ao que chamamos de senso crítico, a uma análise um pouco mais profunda do que o nível até onde damos pé.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color:#000000;">(Escrito em Abril/2011 para a Beatbrasilis: <a href="http://beatbrasilis.wordpress.com/revista-beatbrasilis/"><span style="color:#000000;">http://beatbrasilis.wordpress.com/revista-beatbrasilis/</span></a>)</span></strong></p>
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		<title>A Fool on the Río de la Plata</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 21:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Agora as mariposas no meu estômago resolveram crescer e estou alimentadíssima desses bichos quase borgianos, que são a mais acertada imagem de beleza e confusão. Porque assim estou, belamente ansiosa pela mudança e bastante confusa. Não sei se penso no que estou deixando ou no que está me esperando, e ao mesmo tempo entendo que de nada serve pensar em nenhuma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=380&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Agora as mariposas no meu estômago resolveram crescer e estou alimentadíssima desses bichos quase borgianos, que são a mais acertada imagem de beleza e confusão. Porque assim estou, belamente ansiosa pela mudança e bastante confusa. Não sei se penso no que estou deixando ou no que está me esperando, e ao mesmo tempo entendo que de nada serve pensar em nenhuma dessas coisas, que tolinha. O que estou deixando na verdade vai comigo à sua maneira, e o que me espera é melhor não saber, afinal é esse o jogo da adrenalina, praticamente um atentado contra o limbo. Talvez eu esteja ficando velha demais para tais emoções ou talvez eu tenha me dado conta que mudar de país nunca é igual: por mais curtidos que estejamos, as mariposas haverão de continuar crescendo com a gente, e cabe a nós saber lidar com elas e enxergar todas as suas cores. Também está a sensação de passar de fase, como nos jogos de videogame. É um cenário novo, personagens novos, desafios novos, habilidades novas, porque o novo sempre vem.</div>
<div> </div>
<div>Decidir mudar-se requer apenas ovos (aqui na argentina dizem &#8220;huevos&#8221;, os populares culhões em bom português) e manteiga, pra encaixar sem maiores traumas e/ou atritos. O momento da decisão é mágico, como um beliscão dentro da cabeça, que nos faz ver que a expressão &#8220;deixar tudo&#8221; na verdade é uma mentira deslavada, todos temos uma alminha-depósito que leva tudo disfarçado de saudade. Gosto mais de pensar no que a Argentina me deixou, que não foi pouca coisa.</div>
<div>Terapia pra mim é a do joelhaço, é fazer a mudança de dentro pra fora sem preocupações menores, apenas as ânsias maiores e lugar para entender que todos os desejos são possíveis, não sendo necessário qualquer livro imbecil de auto-ajuda ou psicoanalista pra me dizer se eu me encaixo ou não nos padrões. E uma mudança assim é sempre deveras terapêutica, o avião é um joelho que te leva pra bem longe e te faz construir tudo de novo, diferente e melhor. Metamorfose ambulante de mala e cuia.</div>
<div>Não sei se é a chuva ou o Ron Wood, mas estou nostáligica. Ouvindo rock incansavelmente há semanas, porque sinto que Buenos Aires é uma cidade muito, mas muito boa pra ouvir rock (qualquer cidade o é, mas aqui&#8230; aqui é aqui, po). Começo a fazer espécies de videoclips a la Michel Gondry na minha mente, flashbacks de momentos que vivi aqui, são tantas as emoções. Flashbacks do que a Argentina me deu, me ofereceu, me mostrou. Um país é só um pedaço de terra delimitado por fronteiras e burocracias. É terra, antes de mais nada, e terras ocupam espaços, e espaços geram distâncias. E distâncias geram&#8230; mudanças! Simples assim, estou aqui hoje e amanhã posso não estar se eu não quiser.</div>
<div>Não é assim que eu me mude de Belgrano para Olivos, ou do Bom Fim para o Menino Deus, nem de Wood Green para Battersea. eu vou me mudar de Buenos Aires pra Itacaré, Bahia. Bahia, vocês estao entendendo?! É mais ou menos como um petit gateau o que estou a fazer no meu curriculum de andarilha: o frio e o quente, o branco e o preto, o tango e o samba, o super doce e o não exatamente doce.</div>
<div> </div>
<div>Estou realizando um sonho que eu só fui saber que tinha há pouco tempo, coisa de meses. Um sonho verdinho, que, bem sem querer, virou sonho de verdade e mais maduro que o abacate do vizinho. E agora me sinto parasitada por um sem fim de sensações, é como algumas dessas coisas que por mais que já o tenhamos feito várias vezes, sempre brilha e nos emudece como se fosse a primeira. Acho que amor se encaixa na descrição. Quando decidi trocar Porto Alegre por Londres eu obviamente não sabia o que queria, e que as forças dos jedis me conservem assim: descobri que o que mais me inspira para tais porraloquices é não saber o que quero, nem sequer querer saber pra que serve saber o que se quer, menos ainda o que se vai encontrar. Novidade para crianças, versão para adultos. Dois anos de muita chuva, fish and chips e pints até o sino mandar a gente dormir. Ir no supermercado era uma aventura, comprar passagens era outra, andar nos trens de lá, é realmente estimulante reencontrar a criança que existe dentro de nós. De Londres a Porto Alegre foi um choque, eu achava que a minha cidade natal ardia demais e sim, me entediava, e ainda assim durei dois anos. E há quase três anos, vim buscar ares portenhos, logo após um par de revoluções na minha vida, resolvi realizar um sonho que tenho desde os meus já longínquos quatorze anos, o de morar na capital arhhentina. Falar castelhano todos os dias me soava como uma tarefa brilhante, uma possibilidade de criar um personagem sem fazer filme algum, exceto o da minha vida mesmo. Ironicamente, foi aqui que eu quis parecer mais brasileira, deixei o lado afro dos meus cabelos aflorar, libertei os enrolados fios, passei a tomar sol diariamente, talvez fosse alguma necessidade de deixar claro pra mim mesma que eu era diferente deles e que isso era muito bom. Ou talvez fosse mesmo só a Bahia me chamando através de sinais.</div>
<div>E todo esse nhé nhé nhé biográfico do caralho só pra falar disso: do verdadeiro rocambole que Buenos Aires está a fazer de mim. A paixão segundo Elena Sem H, quase isso. E em breve numa bahia com h. h de humano, i de igualdade. (é realmente assustador como a xuxa me persegue apesar dos anos)</div>
<div>Talvez sejam os anos vividos, as pessoas conhecidas, as músicas ouvidas e os livros lidos, e tudo mais, mas talvez sejam só os ares mesmo. Mudaram o percurso, ou endereçaram o já existente de vez, das minhas ganas pela folia da vida. Ressignificaram coisas que eu nem sabia que significavam algo pra mim, me fizeram quebrar com machado forte fabricado de convicção muitos paradigmas, talvez porque aqui se fale muito de política, de sonhos, de rock mesmo, será que é culpa do Charly García? Quase todas as noitadas são isso, horas e horas a fio de filosofias caras, construídas a mão, por gente que sente o mesmo enjôo, será porque estão no mesmo barco, navegando a esmo e observando as rodas. Será por tantas pichações anárquicas, tantos filmes anáquicos, será porque a galera aqui é de uma intensidade exatamente porteña, de dia e de noite, eles não param, sacodem a camiseta e deixam transbordar a argentinice que lhes implora pra sair.</div>
<div> </div>
<div>Parece que me instalaram alguma espécie de chip, ou larva, algo gosmento porém pensante aqui em Buenos Aires, que me aguçou a capacidade de relacionar coisas e dar vazão a um tipo de intuição ao qual não estava familiarizada: a cidade me diz coisas.</div>
<div>E, como trato de ser oito por cento organizada sempre que escrevo..  </div>
<div> </div>
<div>Vejamos esses dois latejantes exemplos:</div>
<div> </div>
<div>* outro dia, rumo ao trabalho, caminhando por uma das llenasdelocalesderopa ruas de palermo, havia uma obra na esquina, na esquina havia uma obra. Eis que sinto algo que cai do céu, direto no meu nariz, mas tinha pouca pinta de ser um anjo, pois era cinza e úmido. Logo pensei que era o clássico cocô de pomba: não seria a primeira vez. Toco a substância e era cimento. Na hora me dei conta de que aquilo era um sinal claro de rechaço da cidade, ela estava me dizendo: vai, vai mesmo, tome aqui esta lembrança tão pitoresca da selva de pedra.</div>
<div> </div>
<div>* amanheci hoje com uma carta da vizinha do quinze com os seguintes dizeres: &#8220;hola Elena, volvió la pérdida de agua y justo estoy pintando el departamento para venderlo, voy a llamarlo al plomero (encanador) para que lo vea&#8221;. Li e pensei: que maravilha de despedida, ainda me reaparece o famoso problema da filtração do banheiro que inunda a casa da vizinha, que agora está impaciente porque quer vender rápido, time is money, e isso aconteceu num feriadão, o que não favorece ninguém que queira consertar coisas. há uns meses passamos longas manhãs convivendo com encanadores martelando o banheiro, que para o cúmulo da inconveniência, se encontra no quarto. Lembro que era verão eu desfilava mesmo de biquini na frente deles pra ir tomar sol no terraço. Devem ter sido bons dias para os encanadores, pelo menos. Mas enfim, musismos à parte, a questão é que eu fui mandar mensagem pro celular da vizinha do apartamento submarino (ela bem poderia cantar &#8220;We all live in a department-submarine, department-submarine&#8221;), e quando fui escrever plomero (encanador), escrevi problema. A frase saiu &#8220;dale, decile al problema que venga cuando quiera&#8221;. ou seja, eu autorizei o problema a entrar na minha casa. E pensei que um encanador é um problema.</div>
<div> </div>
<div>E é bem provável que eu sinta saudades até disso.</div>
<div>Olho em volta, a minha casa, eu não tenho casa.</div>
<div> </div>
<div>Agora vou me jogar na rede que de tanto escrev..</div>
<div> </div>
<div>Cansei.</div>
<div><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/08/40272_1560279371737_1377872164_31446852_6568823_n2.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-381" title="40272_1560279371737_1377872164_31446852_6568823_n" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/08/40272_1560279371737_1377872164_31446852_6568823_n2.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/380/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=380&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amor de fé-linos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 20:04:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Buenos o no]]></category>
		<category><![CDATA[amor felino]]></category>
		<category><![CDATA[castrar ou nao castrar eis a questao]]></category>
		<category><![CDATA[gatos filhos]]></category>

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		<description><![CDATA[    É difícil falar do amor aos próprios bichos de estimação sem cair no lugar-comum (sejamos francos, é difícil falar de qualquer amor sem cair no lugar-comum), sem parecer uma melosa romanticona ou uma dessas senhoras de 70 anos e 70 gatos que vivem para seus bichanos.   Pois eu sou jovem, sem muita vocação para a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=330&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/07/20feb-043.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-333" title="20feb 043" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/07/20feb-043.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">É difícil falar do amor aos próprios bichos de estimação sem cair no lugar-comum (sejamos francos, é difícil falar de qualquer amor sem cair no lugar-comum), s</span><span style="font-family:Trebuchet MS;">em parecer uma melosa romanticona ou uma dessas senhoras de 70 anos e 70 gatos que vivem para seus bichanos.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Pois eu sou jovem, sem muita vocação para a solteirice, tenho a vida pela frente, e, no entanto, me pego idiota. </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Irremediavelmente rendida. Já estava na hora de eu exalar meus sentimentos pelos meus gatos com algumas singelas palavras.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Oh.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">O bom é ver que tal sentimento de amor profundo não atingiu só a mim, mas também ao meu concubino, que volta e meia dispara &#8220;tequieros&#8221; e &#8220;comopodessertanlindomiamor&#8221;, para os dois filhotes.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><br />
</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Há 10 meses adotamos dois irmãozinhos, o Vincent e a Frida. </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><br />
</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Era uma vez Vincent, o holandês, cara de cabra macho, postura de cabra macho, grandote, ruivíssimo. Vincent é maior, pesa mais (embora tenham nascido no mesmo parto) e faz-se sentir quando caminha por nossas costelas. Geme a cada movimento, desconfiamos que já tenha entrado na fase de aprender a falar. Tem momentos claros de filhadaputice quando abocanha no prato da Fridinha, enquanto esta come, deixando-a, assim, desamparada e esfomeada. Mas também a quer como um irmão maior mesmo, a ajuda a banhar-se, brinca com ela, são um barato juntos. É carinhoso, porém mais arredio, enfim, é gringo.</span><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">E é macho. Viril. Mais dependente, mais estabanado, meio existencialista e tem a beleza de um leão (é holandês nascido na Argentina, não esqueçamos deste importante detalhe). E não ouse tentar, por mais que sua cor alaranjadamente irresistível o seduza, dar-lhe beijinhos no focinho: Vincent não dá beijinhos. E de uns dias pra cá tem nos aparecido com movimentos incestuosos pra cima da Fridinha, vem com umas de morder a nuca da hermana e querer encaixá-la. Sim, está chegando na trágica hora de castrá-los. Ou não.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><br />
</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Era uma vez  uma gata que quase virou pintora: aos 2 meses de idade, Frida caiu do 4º andar. Pânico, medo, ángustia: éramos marinheiros de primeira viagem nessa coisa de criar gatos bebês, ainda mais assim, caída da janela. Na emergência, vem o veterinário com seu &#8220;humor&#8221; argentino: &#8220;Eu tenho uma notícia boa e uma má: a má é que ela fraturou quase tudo. A boa é que nenhuma fratura parece ser tão grave&#8221;. Não sei se fiquei mais chocada pelo &#8220;fraturou tudo&#8221; ou pelo fato do &#8220;não ser tão grave&#8221; ser considerado uma notícia boa. Fridinha sofreu como só mesmo uma Frida Kahlo pode sofrer, passou dias sem conseguir comer nem andar. Passei a me sentir culpada, e até um pouco bruxa por ter escolhido esse nome para a gatinha, já estava a ponto de comprar-lhe umas tintas, uma tela, e ver o que saía. Mas Fridinha tem a força das mulheres de corpos frágeis e neste exato momento está aqui no meu quadril, ronronando com seu motor de caminhão possante. Frida é mais latina, dadinha, é só tocar que ela se assanha, dá beijinhos e desperta eventuais ciúmes no Vincent, o irmão não tão mignon. De uns dias pra cá, vem tentando fugir às investidas sexuais do irmão. É duro para os &#8220;pais&#8221; quando ainda os vemos como crianças, mas eles estão, sim, crescendo, é realmente uma faculdade isso de criar seres. Claro está que a solução mais prática seria castrá-la. Mas o conceito de praticidade tem tomado outras formas na minha cabeça, e não é de hoje. É mais prático ver TV, é mais prático tomar remédios pra dormir, é mais prático ter muito dinheiro, é mais prático ser desonesto, é mais prático fazer tanta coisa que eu não quero nem vou fazer. Castrar é mais prático, mas terei mesmo o direito de privar essa criatura que eu amo (!) de ter uma experiência da qual eu mesma não abdico? Afinal, onde diabos está a tal solidariedade feminina? No lugar da Frida, eu não me perdoaria por me castrar sem sequer consultar, e sei que se ela pudesse falar, me diria que quer sim ter sexo, ser mamãe, ficar grávida e dar de mamar. Conheço a bichana. Serão vários filhotes, não saberemos o que fazer, mas, como sempre, aprenderemos, e tenho certeza de que serão filhotes adotados também por gente cheia de amor e ração pra dar, e eles poderão fazer felizes a outras pessoas, assim como estão fazendo a nós. Seria uma corrente, a corrente do bem, que nem no filminho aquele (meia-boca, mas vá lá, a ideia não é exatamente ruim). Incrível como escrever abre portas enferrujadas na minha mente, hoje de manhã eu e o pai das crianças falamos na castração, e acabo de constatar que não quero castrá-los. Ok esta noite consulto o concubino pra ver se teremos os bebês. É, isto soou bastante estranho.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Como não dar bola para momentos bobos e aparentemente sem maiores emoç<span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">ões,</span> como acordar e dar de cara com um bichinho que sempre tem a pureza de quem recém desperta, mesmo que não estivesse dormindo. Faço conchinha com eles, aproveitando-me do quentinho dos seus corpos, da respiração fina, da beleza constante</span>, do carinho sem mais nem menos. É como se meus gatos tivessem a importância de um bom vinho somado a um namorado. É amor, calor e folia.</div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Como ficar indiferente diante da graça dos seus movimentos? É tudo tão elegante! Até quando lavam seus orifícios mantém poses classudas, com suas línguas agindo como se um cu fosse o mesmo que uma patinha. O desengonço não faz parte de suas características. Eles nasceram para brilhar, e no caso do Vincent e da Frida, nasceram para brilhar no meu colo e na laje lá de casa.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">São bichos que jamais cairão na vulgaridade. Nem na hipocrisia, nem na demagogia e outras humanices horrendas. Gato bom é gato temperamental, é gato que escolhe, que seleciona o amor que quer receber, e o que quer dar, então, nem se fala. Pensas que eles estão garantidos no teu colo, só porque os olhinhos estão fechados e o pescocinho inclinado, pedindo dedos que o toquem, pois, do nada, os cretinos saem para passear, ou para comer, ou saem porque não te querem mais. Nesta hora, podem ser comparados, de leve, aos humanos, com a ressalva de que eles não ficam de mal com a gente se sairmos sem mais nem menos, nem nós ficamos de mal com eles, é tudo subentendido e super entendido, o amor deles não tem manual nem protocolo.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Não sei em que momento eles me conquistaram assim, desde os 7 anos de idade tenho gatos, mas como eles, os que tenho agora, nenhum gato me colonizou. Porque sim, eles colonizam. A cama, o quarto, meu peito e minhas mãos. E agora, colonizam também meus pensamentos (tenho saudade deles enquanto trabalho), meu inconsciente (frequentemente sonho com eles), e meu coração (não posso mais deixar de amá-los). Até poucas semanas atrás eu não conseguia dormir com os gatos na cama, era aquela preocupação em não chutar o/a pobre inocente enquanto dormia, ou a preocupação egoísta de acordar espirrando com um pêlo na narina. Pois tais caprichos são coisa do passado. Eu fechava a porta pra dormir, dava beijinho de boa noite e só os via na manhã seguinte. Eis que Vincent, holandês robusto que é, alcançou seu objetivo: conseguiu abrir a porta que os separava do território dos humanos. E assim foram se achegando, se inflitrando, e hoje em dia  me reduzo a um pedaço de carne humana que pertence a dois gatos. Menos, um pouco menos que isso. Mas não muito.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Assim como acho que todas as flores poderiam cheirar a jasmim, todos os bichos poderiam cheirar como os gatos. </span><span style="font-family:Trebuchet MS;">Eles têm um natural perfume, uma fragrância infantil e suave. Mergulhar meu nariz nos seus pelinhos é quase como inalar eucalipto. E olha que eu era alérgica. Era não, continuo sendo. Mas até isso os muito espertos conseguiram me fazer esquecer. Mais eficientes que todos os tratamentos que fiz para a rinite é o amor que emana dessas bolas peludas e graciosas. Curei, o amor é um milagre, o milagre tem forma de gato, o amor é de fé-linos. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Me olham dançando um rock enquanto passo o café, e pensam &#8220;nossa mãe humana é uma louca&#8221;. Mas depois de dormirmos juntinhos toda a noite, de manhã, que é o nosso momento &#8220;mãe e seus filhotes&#8221;, a la propaganda de margarina, eles me vêem acordando e lembram que eu sou a mãezinha amada deles. Não, eu não escrevi isso. Foi a outra Elena, a que quer ter filhos. Não que não se trate da mesma. Enfim, sigamos com as chorumelas de antes, senão o risco de isso aqui se extender ainda mais é gigante.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">No âmbito artístico, o</span><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">s bichos inspiram: </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Eis aqui algumas provas:</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">* Blackbird &#8211; The Beatles </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">* </span><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Le<span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">ão</span>zinho (que pra mim é a Blackbird do Caetano) </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">* Meu Caozinho Xuxo &#8211; Xuxa</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">e tantos outros.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">E aqui, minha conclusão mais recente:</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Outro dia, preocupada porque a Frida ainda não virou mocinha e já tem 10 meses, consultei </span><span style="font-family:Trebuchet MS;">minha irmã veterinária. Me disse que às vezes o cio é silencioso.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Sim, temos MUITO o que aprender com os gatos. </span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/330/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/330/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=330&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A primeira Copa atrás das linhas inimigas a gente nunca esquece</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 05:29:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Buenos o no]]></category>
		<category><![CDATA[futebol e guerra]]></category>
		<category><![CDATA[los aires son míos]]></category>
		<category><![CDATA[hermanos unidos sempre serao combativos]]></category>
		<category><![CDATA[inflitrados]]></category>
		<category><![CDATA[linhas inimigas]]></category>
		<category><![CDATA[pilantragem no futebol]]></category>
		<category><![CDATA[rivalidade atroz]]></category>

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		<description><![CDATA[  Este é o meu primeiro mundial fora do Brasil, e, porque sou entusiasta das fortes emoções, na Argentina.   Minha situação, hoje, nesta copa de vuvuzelas:   Quantidade de jogos da Copa vistos em terras argentinas até agora: 03 Quantidade de vitórias do Brasil: 01 Quantidade de vitórias da Argentina: 02 Quantidade de nervos: TODOS     Para que os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=310&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/patria1-300x225.jpg"></a> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Este é o meu primeiro mundial fora do Brasil, e, porque sou entusiasta das fortes emoções, na Argentina.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Minha situação, hoje, nesta copa de vuvuzelas:</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Quantidade de jogos da Copa vistos em terras argentinas até agora: 03</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Quantidade de vitórias do Brasil: 01</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Quantidade de vitórias da Argentina: 02</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Quantidade de nervos: TODOS</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/02_06-full_metaljacket.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-322" title="02_06-Full_MetalJacket" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/02_06-full_metaljacket.jpg?w=150&#038;h=121" alt="" width="150" height="121" /></a></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Para que os nervos estejam eufóricos não é necessário que eu seja uma futefanática nem ferrenha seguidora de copas do mundo, eu poderia nem ver jogo algum. Mas sei da importância antropológica do futebol, do fascínio que ele exerce e da </span><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">selvageria que certos países evidenciam em tempos de copa, sem caber aqui apontar as roubalheiras e rios de dinheiro que correm mais do que a bola neste mundial. É sabido que as copas do mundo costumam consistir em avalanches de propaganda, estrelismos e outras breguices, e o mundo fingindo alegremente que é unido, tudo pela nobre causa que é a bola no pé. Este ano ainda tem o diabo de uma dessas modas de copa, e o pior é que essa faz um barulho que não é música: são elas, as vuvuzelas. Mas como tenho gente por perto que pula de peixinho nesse circo, pensei que poderia, sem maiores traumas e com bom grau de divertimento, me deixar levar e aproveitar para fazer meus estudos secretos do comportamento argentino. (tão secretos que eu mesma os desconheço).</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Mas desde que descobri que o Bilardo deu sonífero pro Branco, sempre com dois pés atrás. (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=8deFWePdghc&amp;feature=related">aqui</a>, a confissão do Maradô)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Existem três experiências possíveis para um brasileiro expectador de Copas do Mundo:</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">1. Assistir a copa estando no Brasil</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">2. Assistir a copa estando em qualquer outro lugar do mundo, sem contar a Argentina</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">3. Assistir a copa estando na Argentina</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Pousemos, pois, a mão no peito e enrolemos-nos na bandeira, seja ela qual for, porque o que está por vir é uma milanesa de ensaio antropológico com purê de desabafo.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Meu primeiro jogo foi há 5 dias, Argentina 1 x Nigeria 0.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Vi a partida na companhia das queridas Susana e Carolina, sogra e cunhada, respectivamente. Ambas argentiníssimas. E eu lá, infiltradíssima.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Saí correndo debaixo de uma chuva das que molham, pensando que diabos eu estava fazendo, ia ver o jogo da Argentina, na companhia de argentinos, e o Brasil nem era o adversário. Mas ultimamente meu oráculo, que nada mais é do que o meu vício por experiências culturais, me disse pra eu ir, seria entretido, talvez até enriquecedor, afinal a Susana me faz alfajorcitos e a Caro me cuida quando fico doente: mal elas não poderiam me fazer. Além de serem umas figuras.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Na dúvida se torceria pela Argentina ou por sua desgraça, lembrei das ilustrativas palavras do meu muy argentino concubino, que assistiria o jogo no trabalho: &#8220;La cosa es así: si gana Argentina, me vas a ver muy pero muy contento, pero si pierde&#8230;&#8221;</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Então resolvi que torceria por amor, pois sou mesmo muito nobre. Muito. Mesmo.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Pintei meus pensamentos de celeste e branco e fui, contagiada por este adorável conflito de casais de diferentes nacionalidades, valha-me Deus. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Cheguei nos 10 do primeiro tempo, as duas atiradas na cama, aos berros, um fumacê desvairado no quartículo. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Eis aqui um replay dos melhores momentos dos nossos comentários:</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Y este Jonas, grandote incompetente, que hace ahí parado? </em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Caro diz: &#8211; <em>Ay no puedo ver, no puedo ver!</em> (e se esconde debaixo das cobertas, como se estivesse diante de um filme de suspense, e dos que assustam)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Corré, chiquitito!</em> (sim, chiquitito, e pro Messi)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Elena diz: &#8211; <em>Me encantan las zapatillas del nigeriano este!</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Cuales, las amarillas? Sí, viste, están buenísimas!</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Caro diz: &#8211; <em>Ay no puedo ver, no pued..</em> (e vai dar uma volta pela casa, volta uns minutos depois, fumando sempre)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Corré, chiquitito!</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Elena diz: <em>Maradona tiene 2 relojes?</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana y Caro: S<em>í, siempre</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Elena: <em>?!</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Su diz: &#8211; <em>No sabés lo lindo que es el 8 de Francia..</em>.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Elena diz: <em>Sí, me contó tu hijo que te enamoraste del 8 de Francia&#8230; Que lástima, me perdi el partido de Francia!</em></span></div>
<div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Corré, chiquitito, la puta que te parió! </em></span></div>
</div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Susana diz: &#8211; <em>Pero lo que falta es que me pierda un gol porque se les ocurre a estos muy boludos mostrar la rodilla del tipo que se cayó.</em> (indignada porque estavam falando do joelho de um jogador, ou algo assim)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">(Gol)</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">As três, em uníssono: <em>Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooool!</em> Éramos como 3 verdadeiras cheerleaders maduras.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Palminhas e gritinhos, felicidade genuína. Inclusive a minha, o que me assustou. Eu tinha acabado de invadir as linhas inimigas, e estava me agradando dali. Talvez eu tivesse levado muito a sério a ideia de torcer por amor, e o tal amor estava se misturando: era um pouco para o namorado e outro pouco para a Argentina enquanto país que me abraçou. Gamei e torci mesmo, mas esclareço, mesmo que não haja necessidade, que no caso de um Brasil x Argentina, meu amor é só pra comigo e para com a terra que me abraçou na infância e adolescência, ou seja, a minha pátria amada Brasil deitado eternamente em berço esplèndido ao som do mar e à luz do céu profundo.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/600px-sol_de_mayo-bandera_de_argentina_svg.png"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-318" title="600px-Sol_de_Mayo-Bandera_de_Argentina_svg" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/600px-sol_de_mayo-bandera_de_argentina_svg.png?w=150&#038;h=150" alt="" width="150" height="150" /></a></span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">A segunda experiência foi há 2 dias, Brasil 2 x Coréia do Norte 1, na companhia de minha amiga brasileira Karla e de um amigo argentino dela, o Nacho (infiltradíssimo).</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Saí de casa <em>a las corridas</em> porque passei longos quartos de hora procurando roupas verde e/ou amarelas, que absurdo não ter uma camiseta da seleção. Em outros tempos eu acharia um absurdo dar bola pra isso. Pois achei uma blusinha que tem o desenho de uma palmeira e os dizeres: &#8220;Ame com fé e orgulho a terra em que nasceste&#8221;, que é parte de um poema do Olavo Bilac, e havia sido presente de uma tia, enviado a mim por Sedex quando eu morava Londres: essa vida de andarilha me tonteia. Bolsinha amarela no ombro: indispensável (diferente deste comentário de mulherzinha).</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Brasileira até os dentes, fui achando que a Karla estaria sozinha. Entro e me deparo com um combatente de forças opostas entre nós, aquele pacato rapaz tomando um mate. Karla logo me diz que tá tudo bem, é amigo, é amigo. &#8216;O Nacho é louco pelo Brasil, louco por futebol e super gente boa. E disse que vai torcer pelo Brasil.&#8217; Pensei cá com meus botões: pois só porque é gente boa mesmo e por estar entre duas brazucas, porque sei que tem muito argentino que ama o Brasil, ama o futebol, o samba, a mulata, as caipirinhas, mas na hora da Copa, é guerra.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Vem a parte dos hinos, sempre com aquele toque comovente que tem todos os hinos, eu e Karla mostrando que cantar hino é que nem andar de bicicleta, e na televisão um coreano chora e canta, canta e chora, o<em> pobrecito</em>. E eu, do alto da minha arrogância (tenho aprendido muito com os porteños), logo digo que o pobre coreano já chora antes mesmo de tomar a goleada.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">O primeiro tempo foi mais chato do que ouvir um disco inteiro do Elvis Costello, eram ondas de jogadores coreanos escandalosamente vermelhos e com aquela síndrome de obreiro, tratando de construir muros na frente dos canarinhos, ou seja, nada de gol. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Eu devia ter desconfiado que o fato de eles terem olhinhos diminutos não afetaria sua visão. Eita piada.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Termina o segundo tempo e surge na tela, bem grande, uma propaganda com a imagem de um doce de leite, e palavras que diziam algo sobre o orgulho de ser argentino. Nos pareceu deveras curioso (pra não dizer mal intencionado), este <em>orgullo argentino </em>logo depois de um primeiro tempo amargo de zero a zero na estréia do país inimigo.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">E Nacho dizendo que o Brasil é sempre assim, se reserva no início, e é só querer fazer gol que vai lá e marca. Aliás, comentários como este já saíram de várias bocas argentinas: eles realmente admiram o nosso futebol, e é daí que vem a rivalidade: amor e ódio andam juntos e de mãos dadas, pela estrada afora. Talvez a palavra no caso de Brasil x Argentina não seja exatamente rivalidade, e sim, <em>histeriqueo</em>, como se diz aqui, uma espécie de galinhagem, tiração de onda, pegação de pé. Eles nos inticam e a gente intica eles, empatamos. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Digo isto porque de vez em quando analisava a expressão do Nacho, O Inflitrado, e ele estava, sim, torcendo pelo Brasil: mandava os coreanos à merda, dizia bamo bamo (vamos, vamos!) quando os brasileiros tinham a bola, enfim, mais um torcedor verdeamarillo no mundo. Porque, claro está, o jogo não era contra o Brasil. E estou me cansando de esclarecer obviedades.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Segundo tempo, alguns gritinhos angustiados depois, aleluia, o primeiro gol. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Karla comenta que o coração do Maicon (autor do gol) deve ter saltado naquela hora, e eu agrego que o meu também. O meu e o de outros milhões, sem dúvida. Gols contagiam, <em>y el que no salta es un inglés. </em>(cântico popular na torcida argentina, meu próprio namorado o estava cantando ontem. Abaixo, no blog do Ariel Palacios, tem uma boa explicaçao). </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Nisso me liga o Ariel Palacios, correspondente do Estadão na Argentina, pra fazer uma entrevista. Ele colheu brasileiros que estavam assistindo o jogo aqui e fez uma bela e esclarecedora matéria sobre rivalidades Brasil x Argentina e Argentina x Inglaterra, Argentina x Uruguay (são chegadinhos numa rivalidade), dentre outras tantas coisas interessantes, sou fã mesmo, o blog todo merece ser desgustado: <a href="http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/guerra-anglofobia-os-privilegiados-times-de-futebol-e-a-verdadeira-rivalidade-argentina/">http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/guerra-anglofobia-os-privilegiados-times-de-futebol-e-a-verdadeira-rivalidade-argentina/</a></span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Respondo suas perguntas e arrisco que Dunga tem que tirar Kaká, como se eu lá entendesse patavinas de futebol. Mas ninguém precisa entender futebol pra saber quando um jogador está jogando menos que o juiz, então arrisquei, e o Dunga tirou mesmo o menino-homem inerte, uns minutos depois.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Golzinho feito, &#8220;pelo menos isso&#8221;, &#8221;agora podemos respirar mais tranquilos&#8221;, &#8220;oba! vou dormir essa noite&#8221;, &#8220;se o Brasil não fizesse nenhum com que cara eu iria trabalhar amanhã?!&#8221;, e outros tantos comentários trágicos e exacerbados depois, tá lá o segundo gol, de um jogador que confesso que nem conhecia, o Elano, (lembro o nome porque é parecido com o de uma avenida porteña, a Elcano, que irônica é a vida), e que eu custei a entender que tinha sido um gol, porque parecia que tinha passado por trás da trave, o que explica minha vibração tardia em relação aos demais torcedores, ò situaçãozinha bem patética.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Já estávamos bastante risonhos, o Nacho ficava contente em cada gol, e eu sabia que aquilo não podia ser teatro, ele não tinha por que ficar contente, ficou e ponto. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Acontece que no final do jogo, canarinhos voando na lua, quase que assobiando, vão lá os coreanos e tóin, gol.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Nessa hora, como sempre, sinto uma ponta de raiva dos canários e quero agarrar uma espingarda para matá-los, mas pensei se o Nacho estaria triste ou feliz, na ânsia de me aprofundar nos meus estudos secretos do comportamento argentino. Afinal de contas, analisemos friamente a cena: era um argentino no seu país, vendo o Brasil tomar um gol em Copa do Mundo, na companhia de duas brasileiras. Algum prazer deve ter tido esse gol da Coréia. Que horror eu pensar isso, mas é que, diplomacias à parte, quando a Nigeria esteve a ponto de fazer gol, eu quase torci pra eles. Mas eu juro que era só peninha dos nigerianos. Juro que acho. Pois feliz ele não parecia. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/patria1-300x2251.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-317" title="patria1-300x225" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/patria1-300x2251.jpg?w=150&#038;h=112" alt="" width="150" height="112" /></a></span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Saio do edifício, rumo ao trabalho (me deixaram chegar 3 horas depois, por causa do jogo. Vantagens de ser a única brasileira e não ter concorrência quando o assunto é jogo do Brasil), eu e Karla alegres, falando em Português, e o muy saliente senhor porteiro do prédio, que eu nunca tinha visto na vida, me apunhala o seguinte comentário: &#8220;ahí no más ganaron, eh?!&#8221; (que quer dizer &#8220;por pouco, justinho, não foi folgada a vitória). Eu não ia responder, mas no fundo ia, então apenas disse &#8220;ahí no más NO, mi estimado&#8221;. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">É incrível, é quase erótico o prazer que eles tem em provocar o inimigo, buscar acidezes, deve ser porque somos irmãos, e vizinhos, ainda por cima. Eles adoram. O verdureiro Carlitos, do mercado chinês da esquina (argentiníssimo e Boca doente, ao ponto de pendurar bandeira do Boca sobre os tomates) sempre me diz &#8220;A ver como se sale Brasil!&#8221;. Outro dia eu tava no fundo do mercadinho, lã nos fiambres gastando fortunas em presunto, e o Carlitos me grita <em>Brassil! *</em></span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">* todo mundo sabe que o maior desafio do mundo para um argentino é pronunciar o Z, não sabe?</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">A terceira experiência (ou experimento, <em>como les guste</em>) foi hoje de manhã, mais especificamente às 8 e meia da madrugada, Argentina 4 x Coréia do Sul 1.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Meus estudos secretos estão indo longe demais: fiz a loucura  de acordar às 8 da matina (meu horário de trabalho é das 15 às 23h, exclusivo para boêmios incorrigíveis, então acordar cedo, pra mim, é praticamente uma coisa de vidas passadas). Pois sim, às 8 estava pronta, mas por respeito ao Brasil e pelo meu humor matutino, joguei a primeira roupa que vi, com cores de várias bandeiras, e percebi que meu amor pela Argentina decai um pouco pela manhã. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Este eu vi com o namorado, ele enrolado na bandeira, parecia quase tão nervoso como quando me conheceu. A humanidade e sua eterna busca por gols.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Batia palmas como se estivesse ajudando o Maradona em sua coreografia estimulante aos olhos dos jogadores, nada mais justo: ele incentivava seus compatriotas.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Primeiro gol contra dos coreanos pra nós (ops!), segundo gol do bonitinho argentino da vez, o Higuain (acho insosso), terceiro gol também do bonitinho insosso, eu e meu mau humor constatamos que até o momento quem tinha feito mais gols eram os coreanos, mesmo que um deles tivesse sido um presente para os argentinos.</span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Mais dois do bonitinho, termina o jogo, Maradona feliz, bonitinho feliz, todo mundo feliz, bom humor por las calles de Buenos Aires. </span></div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">É disso que eu estou falando.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">E domingo vou ver o jogo do Brasil no Uruguay. </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Internacionalmente futebolizada estoy.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Fuóóóóóó</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Vuvuzelei também, ora.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/20100613-140852-0601010102.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-321" title="TOPSHOTS" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/06/20100613-140852-0601010102.jpg?w=150&#038;h=101" alt="" width="150" height="101" /></a></span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/310/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=310&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Argentinices que não me fazem cócegas</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 00:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Buenos o no]]></category>
		<category><![CDATA[los aires son míos]]></category>

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		<description><![CDATA[Resolvi escancarar alguns absurdos significativos e sutis do idioma falado nesta terra fria do Rio da Prata, do Fernet com medialunas e da inflação galopante.   Detalhes que muito brasileiro não sabe e que muito argentino não se dá conta. Mas eu presto atenção, e presto tanta, que me enfureço com algumas machezas e machismos implícitos no que se diz corriqueiramente. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=302&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Resolvi escancarar alguns absurdos significativos e sutis do idioma falado nesta terra fria do Rio da Prata, do Fernet com medialunas e da inflação galopante.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Detalhes que muito brasileiro não sabe e que muito argentino não se dá conta. Mas eu presto atenção, e presto tanta, que me enfureço com algumas machezas e machismos implícitos no que se diz corriqueiramente.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;">Narrarei minhas tristes descobertas em bom Português, posto que sou brazuca até o fim e ninguém é obrigado a ser poliglota que nem eu, rham rham.</span></div>
<div> </div>
<ul>
<li><span style="font-family:Trebuchet MS;">O primeiro choque foi assim:</span></li>
</ul>
<p><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span> </p>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu -</strong> Como se diz &#8220;algemas&#8221; em espanhol? &#8211; unindo os punhos e desenhando imaginariamente ao redor deles, com a óbvia intenção de ilustrar a palavra em questão. Faz parte do meu show, todo imigrante tem momentos de comunicação semi-neanderthal.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; Se diz &#8220;esposas&#8221;.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu -</strong> hahaha, mas que barbaridade, tsc tsc.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; hahaha mas que barabaridade tsc tsc o que?</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu -</strong> Quero saber o nome real e oficial de &#8220;algemas&#8221; em espanhol.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; Mas esse é o nome real e oficial para &#8220;alchemas&#8221; (acho uma ternura como eles transformam nosso G num CH).</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu -</strong> (aos berros e quase chamando a polícia, o que teria sido completamente boludo da minha parte, visto que provavelmente foram os próprios porcos/ratis/pigs malditos que inventaram esse abuso etimológico): </span><span style="font-family:Trebuchet MS;">O que?! Não acredito! E ninguém faz nada?! Mas que absurdo! Parece piada de mau gosto, gente! E outras frases proferidas do alto da minha ira de brasileira e porreta mulher que sou.</span></div>
<div><a href="http://es.wikipedia.org/wiki/Esposas"></a> </div>
<div><a href="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/05/esposas.jpg"><img class="aligncenter size-thumbnail wp-image-307" title="esposas" src="http://caracoling.files.wordpress.com/2010/05/esposas.jpg?w=150&#038;h=150" alt="" width="150" height="150" /></a></div>
<ul>
<li><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;">Ato seguido, uma conversa descontraída que se contraiu no final e culminou no meu segundo choque:</span></li>
</ul>
<p><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"> </span> </p>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><strong>Eu </strong>- Como se diz &#8220;esperto&#8221; em espanhol? (como neste caso não dá pra usar gestos, já que &#8220;esperto&#8221; é um adjetivo e o gesto mais apropriado para &#8221;esperto&#8221; seria uma piscadinha de olho marota que poderia ser confundida com &#8220;puta&#8221;, falei em espanhol: &#8211; seria como &#8220;vivo&#8221;, &#8220;inteligente pero con malicia&#8221;, &#8220;atinado&#8221;)</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; Se diz &#8220;pillo&#8221;.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu </strong>- Ah.. fulano es pillo, fulana es pilla.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; No.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu -</strong> &#8220;No&#8221; que?</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento</strong> &#8211; No hay femenino para &#8220;pillo&#8221;.</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Eu </strong>- (aos berros e quase desistindo de ser mulher neste país): O que?! Não acredito! E ninguém faz nada?! Mas que absurdo! Parece piada de mau gosto, gente! E outras frases proferidas do alto da minha ira de brasileira mulher que sou II.</span> </div>
<div>
<div><span style="font-family:trebuchet ms,sans-serif;"><strong>Eu de novo:</strong> Então o homem é &#8220;pillo&#8221; enquanto a mulher &#8220;limpia la casa, hace la comida y es pelotuda&#8221;?</span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Amigo argento:</strong> Eu nunca tinha pensado nisso.</span></div>
</div>
<div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span></div>
<p> </p>
</div>
<div style="text-align:center;"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>E machice de cu é rola.</strong></span></div>
<div style="text-align:center;"><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong> </strong></span></div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span> </div>
<div><span style="font-family:Trebuchet MS;"> </span> </div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/302/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/302/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=302&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">esposas</media:title>
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		<title>Textos Terona (blues da vizinha)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 23:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Se faz amor. Se tem prazer &#8211; porque, sem ele, não só não há amor: não há nada. Se trocam carícias, mordidas e encantamentos,é uma coisa de bichos. Se goza. Ato seguido, se grita o gozo. Se escuta, no meio da apoteose, as queixas da vizinha mal amada (talvez nunca amada, ou pior: burocraticamente amada) [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=298&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se faz amor.<br />
Se tem prazer &#8211; porque, sem ele, não só não há amor: não há nada.<br />
Se trocam carícias, mordidas e encantamentos,é uma coisa de bichos.<br />
Se goza.<br />
Ato seguido, se grita o gozo.<br />
Se escuta, no meio da apoteose, as queixas da vizinha mal amada (talvez nunca amada, ou pior: burocraticamente amada)<br />
Dizendo <em>&#8220;cerrá la ventana&#8221;</em> &#8211; repete três vezes. (é praticamente o <em>riff</em> da vizinha &#8211; isso dá um rap)<br />
Foi um grito. Um. (que eu não nasci pra dar de intérprete de atriz pornô).<br />
Não me broxou por muito pouco, e não saí pra bater nela, por muito pouco.<br />
Por muito pouco foi ela quem se enraivou toda.<br />
Quem se enervou e quis que o mundo caísse sobre a sua sacada tão limpinha.<br />
Pois que se afogue na sua raiva. E na sua sacada.</p>
<p>Passam-se uns dias, uns <em>&#8220;cerrá la ventana&#8221;</em> mais, e o seguinte episódio me mede a fúria:</p>
<p>Se faz uma festa de aniversário em casa.<br />
(véspera de feriado)<br />
Se recebe gente, se serve bebida.<br />
Se faz música.<br />
Se conversa sobre o tudo e o nada, sobre como é que pode ser que a cerveja tenha terminado, tinha tanta! e o gelo também, putz, e cá estamos, tomando fernet morna, uns 24º no copo.<br />
Se curte a noite.<br />
Se acorda às duas da tarde da manhã seguinte.<br />
Com a adorável vizinha<br />
Gritando pro marido que era uma barbaridade o volume da música.<br />
E que ela chamaria a polícia se hoje à noite se repetisse.</p>
<p> <br />
E do topo das cinco da tarde deste dia de Boca x River,<br />
A cidade inteira gritando um gol (dale O)<br />
E eu aqui pensando naquilo.<br />
Naquilo que nos leva a pensar naquilo.<br />
Que no momento, é um sentimento de raiva pela vizinha.<br />
Só que eu não me afogo, trouxe umas bóias.<br />
 <br />
Será a vizinha infeliz?<br />
A vizinha não é uma frígida infeliz.<br />
É duas.<br />
Juntas e unidas pra testar o meu samba no pé, e só de raiva eu vou aumentar o volume desse Cazuza.<br />
 <br />
Uma pessoa que se incomoda com sexo e com música (boa, é claro. música de merda não é música, e molesta por nem tentar sê-lo),<br />
É uma pessoa que se inocomoda com o prazer alheio.<br />
E só pode ter como missão fazer a vida dos outros menos doce.<br />
Só pode ser dessas que acreditam que o condomínio fechado é a salvação contra esses serezinhos repugnantes.<br />
No caso, eu.<br />
 <br />
Barulho incomoda, e incomoda muito mais se for bom.<br />
Barulho ruim só arranha os ouvidos.<br />
E pra arranhar, eu já tenho meus gatos.</p>
<p>Prefiro então,<br />
que a azeda vizinha,<br />
me sirva de inspiração.<br />
E que enfie nos ouvidos,<br />
esta linda canção:</p>
<blockquote><p>&#8220;Vecina,<br />
no te quejes tanto.<br />
Vecina,<br />
que no te hace bien mi llanto.<br />
Vecina,<br />
calmate las venas,<br />
que en la Tierra no son muchas<br />
las Elenas<br />
que te van a romper<br />
las pelotenas.&#8221;</p></blockquote>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/298/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/298/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=298&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O que é o que é</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 18:42:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Três pedras, Dois dedos.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=297&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Três pedras,</p>
<p>Dois dedos.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/297/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/297/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=297&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O cagaço mais gostoso</title>
		<link>http://caracoling.wordpress.com/2010/02/18/o-cagaco-mais-gostoso/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 15:09:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[balzac aqui me tens]]></category>
		<category><![CDATA[los aires son míos]]></category>
		<category><![CDATA[astrogildo e a escada rolante]]></category>
		<category><![CDATA[óculos escuros é o caralho!]]></category>
		<category><![CDATA[crise é só cagaço]]></category>
		<category><![CDATA[enfim balzaquiana]]></category>
		<category><![CDATA[sobre fazer 30 e gostar]]></category>

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		<description><![CDATA[  Sem essa de crise dos trinta.   Paremos de justificar tudo com crises, sugiro que demos os nomes aos bois (no caso, a este pobre boi velho de trinta anos com meia perna pra dentro do caixão)   E o nome do boi é Cagaço.   Fazer 30 é como fazer 28 ou 29, com o sutil e apavorante detalhe [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=292&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Sem essa de crise dos trinta.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Paremos de justificar tudo com crises, sugiro que demos os nomes aos bois (no caso, a este pobre boi velho de trinta anos com meia perna pra dentro do caixão)</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E o nome do boi é Cagaço.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Fazer 30 é como fazer 28 ou 29, com o sutil e apavorante detalhe da troca de década. E isso, dizem, nos afeta psicologicamente.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Bate um cagaço no vivente nao só porque lhe restam menos anos de vida, até porque com 30 hoje em dia, se é bem novinho e há toda uma vida pela frente. </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">O drama não é bem esse, o dos anos que estão por vir. É dos anos que se foram, que comeram a nossa poeira, que hoje é poeira envelhecida e tem até gosto de Jack Daniels ou de algo que o valha.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">É a coleção de lembranças, vivências, traumas, aprendizados e tudo o que vocês quiserem, é a mochila. </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Mas, basicamente, é a coleção de cagadas que fizemos. Ninguém se angustia antes de fazer 30 se nao tiver feito nenhuma cagada na vida. Logo, conclui-se que todo mundo se caga na hora dessa virada, porque nao há vida possível sem cagada. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Ok, as coisas boas e as dentros que demos também estão lá, na mochila, mas ninguém se angustia por coisas maravilhosas, ninguém tem cagaço por isso. No máximo, um orgulho engrandecido e uma auto-estima melhorada, mas nada além de um upgrade de amor próprio, e não, isto não entra na tal crise.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;"> </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Mas (e agora, por que não, assumindo que talvez seja mesmo uma crise, já que sou bem chegada numa contradição) os erros, aqueles que tanto nos ensinam e nos empurram &#8211; pra cima ou pra baixo, aí vai depender das ganas de viver de cada um &#8211; eles são os presentes de grego que levamos conosco. </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Por quê? </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Porque provavelmente eles continuarao nos dando a mão durante a nossa jornada. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Um exemplo real, super real:</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Astrolgildo vai ao shopping todos os dias por causa do ar condicionado, que inexiste em seu lar, e o calor dos trópicos o está matando aos poucos.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Volta e meia, Astrogildo se destrai, pois tem uma mania bobíssima de olhar o chão enquanto caminha. Na distração, Astrogildo acaba se dando conta, lá pelo quinto degrau (bem, ele é meio bêbado, além de bobíssimo), de que está tratando de subir por uma escada rolante que desce.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Se até agora Astrolgildo não aprendeu que olhando pra baixo ele não vê o que está na sua cara, e que subindo onde é pra descer não vai levá-lo a lugar algum que não seja a enfermaria do shopping, não é porque mudou a década que ele vai aprender.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E o mesmo vai acontecer quando ele fizer 40. Ele vai se dar conta de que putz. Não aprendi de novo. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Ainda. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Não aprendeu pra sempre. </span></div>
<div> </div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E a vinda dessa década tão entrincada só faz reforçar em nossas mentes a nossa capacidade de não aprender certas coisas.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Fazer trinta se trata disso: de continuar não aprendendo, mas com mais classe, com mais pose de adulto e com os pontos fortes também reforçados, é uma reforçação de coisas que não tem mais fim.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Mas tem o lado Edith Piaf e Frank Sinatra da história, que é quando cantamos Non, Je ne regrette rien, ou então I did it my way. É aquele orgulho e até um certo carinho por cada inconseqüência, cada cagadinha, cada bobagem que fizemos, e pelas que hemos de seguir fazendo, porque elas são o que somos: esse monte de panos sujos, porém coloridinhos.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Não, os trinta não me pegaram desprevenida. Me pegaram despavitada.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Ainda bem que me surgiram essas duas micro rugas e esses quatro fios brancos na cabeça, porque não: eu não aparento ter trinta nem a pau, estou cada vez mais tetéia style. E porra. Eu mereço um crédito extra por fazer 30, eu exijo respeito.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Nos trinta, ou o sujeito se apavora de vez, ou liga o foda-se e vai ser feliz. E eu, que, já é sabido, não nasci ontem, optei pela segunda e sábia opção. Já não me preocupo em usar óculos escuros se não tiver colírio. O mundo que veja meus olhos vermelhos e pare com essa frescura. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E é pra lá de ótimo andar e cagar pra um monte de coisas. É inspirador quando as coisas não saem como o planejado, porque Oba!, eu não planejei nada mesmo.</span> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Hoje entendo que a minha maior malandragem é tirar proveito só de mim mesma. </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E talvez amadurecer trate-se de habitualmente botar tudo na peneira do nosso penso, e saber fazê-lo é como vacinar-se. É aceitar que nossa intuição sempre tem algo a intuir e nossos sentidos, algo a sentir. Mas nossos planos não tem nada pra planejar, eles simplesmente são uma mentira, porque afinal de contas, é sempre o vento quem há de encarregar-se de nos levar seja pra onde for e com quem for. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E que graça teria contar os anos vividos se isso não tivesse um lado trágico? </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">É como se viesse a Adolescência, com sua bundinha empinadam, mamilos alertas e cara redonda, típicos dos Quinze, nos desse um tapa na cara e batesse a porta com força, levando alguma mochilas e dando tchau enquanto masca um chiclete. Aí é claro, a pobre Adultez fica lá, desolada e tonta feito uma barata envenenada, sem entender patavinas do que se passa, e pensa: &#8220;Bom, agora eu sigo. Assim, confusa, madura e esperta, mas sempre boba enfim, graças a Jah.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Ainda bem que as manhãs são boas amigas das balzaquianas e nos recebem com tanto Sim pro dia que temos à frente &#8211; parece até que estão, desde já, preparando-nos para quando formos velhinhas, elas que, invariavelmente, acordam cedo todos os dias. E a elas as manhãs também sorriem. Não é por nada que muitas delas são nossas avós, pessoas tão valentes, jararacas (sim), sábias e doces. É isso o que as manhãs que beiram e ocupam os trinta tratam de nos injetar em generosas doses diárias: valentia, jararaquice, sabedoria e doçura.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">E, claro, aquela sensação de ser como as coisas boas da vida: as viagens, o sexo, o whisky e o vinho: todos ficamos melhor com o tempo. Damos mais barato nas pessoas e curtimos a delícia de caetanear o que quer que seja. </span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Um brinde à essa sensação de não ter que ser melhor do que ninguém, e sentir-se sempre melhor que ontem.</span></div>
<div> </div>
<div>  </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">Música pra ouvir o post: &#8220;What&#8217;s uh the deal&#8221;, do Flóidi.</span></div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">&#8220;Cause there&#8217;s a chill wind blowing in my soul<br />
And I think I&#8217;m growing old&#8221;</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family:verdana,sans-serif;">* Tinha pensado na Piaf ou no Sinatra, mas vou deixar pra quando chegarem os 64 &#8211; se bem que nesse vídeo o Gilmour não está lá muito jovem&#8230; </span></div>
<div><span style="font-family:Verdana;">Acontece.</span></div>
<div><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://caracoling.wordpress.com/2010/02/18/o-cagaco-mais-gostoso/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ouhCc-plwVc/2.jpg" alt="" /></a></span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/292/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/292/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=292&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>no creo en brujas, pero que las veo, las veo.</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 01:34:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[balzac aqui me tens]]></category>
		<category><![CDATA[não sei se caso ou se compro uma vassoura voadora]]></category>
		<category><![CDATA[balzac feelings]]></category>
		<category><![CDATA[charlatães do inferno]]></category>
		<category><![CDATA[i will survive]]></category>
		<category><![CDATA[inferno astral é psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[trinta]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu queria poder eliminar todo e qualquer charlatão da face da terra. Sabe-se que estão por todas partes e dominam as massinhas encefálicas mais frágeis. Fazem dinheiro às custas do desespero e/ou cegueira alheios. Sangue-sugas da fé, esses malditos. Tenho um escudo tão grande contra charlatão que não afrouxo nem com a astrologia, que é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=274&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria poder eliminar todo e qualquer charlatão da face da terra.<br />
Sabe-se que estão por todas partes e dominam as massinhas encefálicas mais frágeis. Fazem dinheiro às custas do desespero e/ou cegueira alheios. Sangue-sugas da fé, esses malditos. Tenho um escudo tão grande contra charlatão que não afrouxo nem com a astrologia, que é razoalvelmente aceitada, as pessoas lêem horóscopo no jornal como lêem tirinhas. Depois de ler, vão fazer as suas coisas e o horóscopo ficou lá, no jornal. Eu, pelo menos, sou assim. Ignoro toda e qualquer tentativa de mensagem generalizada, e não faço força, eu simplesmente esqueço a relevância, ou não considero relevância alguma. Posso até achar bonito, coerente e com uma certa boa vontade de literatura ali, mas não passa disso. Não vou agir segundo o que diz nem o horóscopo, nem i-ching, nem cartinhas de fêmeas deusas, nem aos e-mails da minha mãe implorando por juízo. Sou chata mesmo. Com toda a chatice que pode conter num aquariano. Ou num taurino, ou num virgem.</p>
<p>Mas eu vim aqui, nesse post, especialmente pra dizer que se eu tivesse que escolher um só dos charlatães pra eliminar, eu caçaria com todo o meu instinto homicida, o que inventou o inferno astral. Porque eu estou começando a acreditar, e isso me tira do sério: se tem coisa que aquariano não suporta é que provem o contrário. O contrário também é sempre uma hipótese proposta pelo aquariano, ele propõe tudo, então se alguém vem dizendo que não tinha a razão, ele (eu) pira (piramos). Desculpa, que absurdo, eu falando de signos.<br />
Comentei já que este inferno astral está mais forte do que nunca? Pois está, e certamente é porque os 30 estão empenhados em chutar a minha porta e a me ganhar no grito. </p>
<p>Tem nada não. Tem sim, e não é pouco:</p>
<p>Hoje é o segundo dia de inferno astral, segundo o charlatão, e:</p>
<p>* Fri/Frida/Fridinha, a gata-bebê de 2 meses, caiu da janela, 4º andar. Não, não tinha rede, amanhã a gente põe. Melhor nem falar neste assunto, porque, sim, eu avisei. Frida passa bem e é valente, faz jus ao nome. Credo, quase me arrependo da ideia do nome. Se a coluna dela não se curar, vou começar a acreditar até em paranormais e comprar uma cadeira pra pets e parafernália de pintura, e ela será a primeira gata pintora, yay! (nem o inferno astral me cega o lado bom das tragédias do cotidiano)</p>
<p>* Não se toma mais ducha quente nem morna nesta casa: estragou, de novo, o bagulinho da ducha, e assim não dá pra querer, porque não é todo dia que a temperatura marca mais de 30º, e água fria no frio, só pra curar as bebedeiras mais extremas mesmo. </p>
<p>* Ainda fazendo a linha Manutenção, na cozinha já não se lava louça com água fria, senão inunda tudo. A água brota do chão, é uma coisa até deliciosa e lúdica quando faz muito calor, se estás de pés descalços é quase uma bênção, refresca o pezinho que é uma beleza. Mas, a seguir, é nós de quatro (calma) secando o chão. Cansa os quartu.</p>
<p>* Últmo, porém não menos importante da linda de Manutenção e Tragédias da Casa: a tão necessária e liberadora descarga não passa nada bem. Balde do lado. Nesse nível, estamos finos por aqui.</p>
<p>E, claro, o cara da manutenção me deu o cano, vejam que trocadilho adequado.</p>
<p>Rinite, alergia pegada, dor de dente? Sim, isso mesmo, meus problemas não só não acabaram, como vão se dando as mãos, unindo-se contra meus vinte e nove anos, que já se vão assim tão rápido. </p>
<p>Estão quase me convencendo deste adulticídio.</p>
<p>Embora eu continue achando que é tudo uma grande bobagem e que não se trate de nada além de um dia, um símbolo pra fazer lembrar que o tempo passa e. E? E daí que passa, se a ideia é essa? Não dá pra se angustiar, não dá pra correr. Mas caminhar mais rápido ajuda, tirar de letra ajuda.</p>
<p>É claro que já passei por momentos assim antes. Tudo junto acontecendo ao mesmo tempo, reunidos em conferência pra testar meu jogo de cintura, meu samba no pé e minha capacidade de sorrir. Mas né, nos trinta tudo tem um novo contexto, e como sou aquariana, já to lá, corri antes, eat my dust.</p>
<p>Ó, a Fridinha tá brincando de novo, vou lá admirar.</p>
<p>Já nem acredito mais em nada, só sei que ando mesmo mais canceriana.<br />
(Porque aquariano não acredita, aquariano sabe.)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/274/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/274/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=274&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Retrospectiva 2009 (?)</title>
		<link>http://caracoling.wordpress.com/2009/12/30/retrospectiva-2009/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 01:54:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>caracoles</dc:creator>
				<category><![CDATA[los aires son míos]]></category>
		<category><![CDATA[balança 2009 mas não cai]]></category>
		<category><![CDATA[lista top ten é a mãe!]]></category>
		<category><![CDATA[retro 2009]]></category>
		<category><![CDATA[top less]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu juro que nunca fiz isso antes, e confesso que sempre achei bastante ridículo / inútil / batido / infantil / fazê-lo. Eu antes, costumava menosprezar pessoas que fazem isso. Desdém puro eu tinha por elas, montes de gentinhas vazias. Mas isso era antes: antes de eu ver que, graças ao Antes, existe o Agora, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=267&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
Eu juro que nunca fiz isso antes, e confesso que sempre achei bastante ridículo / inútil / batido / infantil / fazê-lo. </p>
<p>Eu antes, costumava menosprezar pessoas que fazem isso. Desdém puro eu tinha por elas, montes de gentinhas vazias.</p>
<p>Mas isso era antes: antes de eu ver que, graças ao Antes, existe o Agora, e graças aos dois, existe o Depois. (adoro quando as rimas se jogam assim sozinhas nas minhas letras e gritam Jerônimooo)</p>
<p>E o Depois é justo quando a gente se dá conta que não sabe de *p.n. e percebe como a vida se encarrega de nos fazer engolir tantos vícios toscos de conduta, tantos pré julgamentos, pré-conceitos, pré-amigos, pré-projetos, tantos prés que não dão em nada. E a gente engole todos eles sem nem um doce de leite pra descer mais gostoso, tudo por um camarote no inferno, com vista pro bar. </p>
<p>E, como se não bastasse atar tantos nós em nossas aflitas mentes e fazer-nos tragar amarguras, essa mesma vida nos faz mudar de opinião, nos faz dirigir através de outros pensamentos e agir de maneiras por nós nunca dantes consideradas. Aí é que a vida nos compensa e diz: &#8220;É tudo pro teu bem, dói mais em mim do que em você, bla bla bla&#8221;.<br />
E, se tentarmos ignorá-la, depois ela haverá de nos cuspir vitoriosa um &#8220;Eu te avisei&#8230;&#8221;. Marvada que só.</p>
<p>Sim, porque eu, Antes, não conceberia uma ideia assim, jamais.<br />
Mas isso era Antes: agora que o Agora e o Antes passaram, agora sim é que são elas, e agora sim é que o Depois chegou, e eu sei cada vez menos. Só sei que engoli essa e estou tentando vomitar uma&#8230; argh! </p>
<p>Tanto rodeio é pra me desculpar, pra passar por cima, e principalmente pra não deixar a coisa cair no pior abismo do mundo: o abismo do patético, do lugar-comum, do clichê, do nojento, do forçado, do óbvio, do tedioso, porque esse é o abismo que não tem galhinho pra segurar durante a queda, esse aí é pá-pum, escorregou, foo-deu: caiu, não tem volta. Então eu piso meu pezinho bem suave, devagar, com cuidado pra não me sentir nem muito ordinária, nem muito bonitinha.</p>
<p>Mas basta de tantas voltas, que eu mais pareço uma barata envenenada. Só quero assumir esse meu lado que antes gritava em mim, enquanto eu tratava de sufocá-lo: o meu lado de <em>Pessoa que faz Lista</em>. Lista. No plural não, po. Tá certo que eu estou a abrir meus horizontes fazendo uma lista, mas calmalá que pra tudo nessa vida eu tenho ideologia, e pra o tema <em>Listas</em> não seria diferente. Esta será a primeira, e não digo que a última, mas certamente não há de se tornar um hábito. Ou sim. (ops, caetanei um pouco agora, melhor recuar mais esse pezinho&#8230;)</p>
<p>Eu vou, sim, fazer um balanço do ano que está à beira do fim. E, pra me auto-self-surpreender-me a mim mesma ainda mais, o farei em forma de uma <strong>lista</strong>. Sim, por ordem de importância (duvido). Sim, tipo Top Ten Elênico de 2009 (duvido mais). </p>
<p>Antes, eu teria nojo de mim mesma por fazer semelhante coletânea de fatos. Mas Antes eu tampouco tinha muito pra balançar. E tampouco era tão velha que pudesse chegar ao ponto de fazer tamanha imbecilidade sem a mínima vergonha. Mas isso é só porque o ano que está a passos do fim foi, no mínimo, saracoteante.</p>
<p>Tá difícil engatar a primeira nesse texto apocalíptico (?), e não é por falta do que contar: é porque eu simplesmente sou uma pessoa que tem forte aversão a listas.<br />
Minha aversão é a números. À ordem. Ao que tenta organizar. Não porque eu não goste, e sim porque eu não sei. Odeio tudo o que não sei. É, eu sei, eu sou assim.<br />
Eu não sei enumerar, não sei ordem de importância e, pior do que tudo isso, não sei realmente o que é de bom tom tornar público e o que deve ficar resguardado em meus pensamentos mais secretos. Arranhem-se, lambam-se, mordam-se de curiosidade (a minha vida é tão importante quanto a tua e isso é algo incontestável), porque obviamente o que eu não achar de bom tom, acá não há de se publicar. E quem pedir pra eu definir &#8220;bom tom&#8221; vá é tomar Nocou, que é uma bebida francesa bem forte, tchau e boa ressaca. </p>
<p>Claro que a minha lista tinha que ser diferente das demais, e começa logo com um prólogo (risos, muitos risos aqui) de misericórdia, eu gosto mesmo de me explicar, até quando a explicação é para um Ano, o estimado dois mil e nove:</p>
<p><strong>Prólogo de misericórdia para com o Ano de 2009 Depois de Cristo</strong>, Depois de Lennon e Depois de Lula, que hoje em dia tá mais cotado que Cristo, Lennon, Hendrix, Vinícius de Moraes, Bohnam, Bon Scott, e toda a turma boa que morreu em 80. (aqui eu poderia dizer que o mundo quis compensar tantas perdas com o meu nascimento, que se deu naquele ano, mas ai! também não é porque eu não tenho nada pra fazer que vocês vão ter que ler besteiras, ou num é).</p>
<p>Olhando assim pra ti, Doismilenove, tu com essa carinha de quem não fez nada&#8230; dá até pena. Dá até vontade de te poupar, de te pegar no colo e te levar de volta pra Idade Média, quando ainda não havia tanta gente chata, do tipo que faz lista. Mas eu e tu sabemos que sim, fizeste muitas coisas, 2009 querido, e não vem bancar o bom moço. Fizeste arte, Doismilenove. Não arte de arte, e sim arte de criança arteira mesmo, sapequices barra-pesada. Doismi (apelidei assim. ano que vem, se eu fizer outra lista, penso em outro apelido), tu simplesmente foste o mais traquina, o mais levado dos teus outros dois mil e oito irmãos. Só não te dou palmadas na bunda porque corres tão rápido que ui! já é dia 29. Corres tão rápido que já te vais assim. Sem dar tchau direito, sem me dizer porque as coisas se transformam com o passar de (hum)Anos como tu.  </p>
<p>É só um dia no calendário, mas pensemos:<br />
a vida é feita de quê mesmo?<br />
De trens, felicidade, música e praias desertas? não.<br />
De paz, homicídios, casas novas, amor, harmonia, fúria e desprezo? não<br />
De dores e alegrias?</p>
<p><strong>não!</strong></p>
<p>a vida é feita só de</p>
<p><em><strong>anos</strong></em></p>
<p>E lá se vai mais um e vem mais outro, essa vida é um vai-vem de anos que vou te contar. (mas não vou aqui contar todos eles, nem esquentem a cabeça)<br />
Já me vejo sentada em algum sofá de Doismilequinze pensando que Doismilequatorze foi o ano mais malandro, mas. Mas não, eu não sei se haverá algum sofá em 2015. Não sei nem se estarei viva, <strong>não sei nem a cara dos anos que não aconteceram! </strong>E a cara do Doismi eu conheço! E é a cara de quem tá querendo alguma coisa e não sabe bem o quê, mas enfim, tá querendo, e só por isso eu já respeito este ano que em 2 dias existirá tanto quanto as minhas economias.</p>
<p>Adoro me dar a razão quando eu pareço até me conhecer um pouco mais: não, eu não gosto de listas. Tanto é que ops! Terminou a lista sem eu nunca ter feito uma. Cala a boca, Elena, que não é de bom tom nada disso, muito menos ameaçar fazer uma lista e recuar, nem fazer a *p. da lista lista, nem analisar muito o que passou. Só o que ficou, que foi essa mochilona mais pesada, mais cheia de roupa suja, roupa nova e algumas quinquilharias, mas indiscutivelmente, mais cheia de elenas dentro, cada uma pra desvestir um próximo ano que virá. É só uma data, a gente sabe. Mas ai, os (hum)Anos&#8230; </p>
<p>Por um ano sem listas! Sem ranking, sem top do caralho a quatro, será um ano top less!<br />
Hei de defender sempre a doutrina dos que vivem sem doutrina e sem ligar pra calendários, sem ligar pra listas, porque, como já disse Dylan: I don´t believe you!</p>
<p>E que seja um muito feliz Doismi(lidez)! Assim como foram seus irmãos.</p>
<p>*p.n.: porra nenhuma<br />
*p.: porra<br />
(glossário óbvio pouco é bobagem)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/caracoling.wordpress.com/267/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/caracoling.wordpress.com/267/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=caracoling.wordpress.com&amp;blog=4579228&amp;post=267&amp;subd=caracoling&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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